- O Brasil busca liderar a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), mas o tempo para virar liderança efetiva está acabando, segundo o gerente da Iata, Pedro de la Fuente.
- A Iata afirma que o Brasil ainda tem ingredientes para ser uma grande plataforma de SAF, mas precisa converter potencial em projetos financiáveis, políticas de longo prazo e produção em escala.
- Iniciativas em curso já mostram avanço, como as primeiras entregas domésticas de SAF certificadas pela ICAO pela Petrobras em dezembro de 2025 e a biorrefinaria da Acelen na Bahia.
- A produção global de SAF dobrou em 2025, chegando a cerca de 2 milhões de toneladas, mas representa apenas 0,7% da demanda mundial; estima-se necessidade de até 2050 entre 400 e 500 milhões de toneladas por ano.
- O custo do SAF ainda é mais de quatro vezes o do querosene tradicional; há desafios de preço, mas também de escala, políticas estáveis, financiamento e cadeias logísticas mais eficientes.
O Brasil busca liderar a produção de combustível sustentável de aviação, o SAF, mas a janela para transformar potencial em liderança efetiva se estreita. A avaliação é de Pedro de la Fuente, gerente de relações exteriores e sustentabilidade da Iata, durante o Wings of Change Americas em Santiago, no Chile.
Segundo o executivo, o país ainda mantém vantagens estruturais relevantes, como biomassa abundante, base de refino consolidada e capacidade técnica. A Lei do Combustível do Futuro e o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação ajudam a manter o Brasil no radar global.
Entretanto, o ritmo de outros mercados pressiona o cronograma. De la Fuente afirma que a liderança ficará com quem converter potencial em projetos financiáveis, políticas de longo prazo e produção em escala. O Brasil, hoje, precisa acelerar a execução.
Entre os sinais positivos, ele cita entregas domésticas de SAF certificadas pela ICAO pela Petrobras em dezembro de 2025 e projetos de grande envergadura, como a biorrefinaria da Acelen na Bahia. Esses passos mostram movimento concreto rumo à produção local.
Para a Iata, o desafio não é apenas o consumo, mas a capacidade de transformar capacidade em investimentos e infraestrutura. O Brasil ainda depende, em parte, de preços de paridade de importação, o que impacta a custos e a previsibilidade das companhias aéreas.
O SAF é produzido a partir de matérias-primas renováveis, como resíduos e biomassa, com potencial de reduzir emissões de carbono em até 80% ao longo do ciclo de vida. Pode ser usado na frota atual sem grandes adaptações.
Embora haja avanços, o custo do SAF permanece acima do querosene tradicional, em média mais de quatro vezes. A Iata defende maior escala, políticas estáveis e cadeias logísticas mais eficientes para reduzir essa diferença.
Avanço internacional e segurança energética
Globalmente, a produção de SAF quase dobrou em 2025, chegando a cerca de 2 milhões de toneladas, mas representa apenas 0,7% da demanda mundial. A projeção até 2050 aponta a necessidade de cerca de 500 milhões de toneladas por ano.
O tempo é curto para acelerar a implementação tecnológica e a escala industrial. A Iata reforça a importância de menos políticas fragmentadas e mais financiamento estável para projetos de SAF.
O tema também ganha perspectiva de segurança energética. O CEO da Latam, Roberto Alvo, ressalta que decisões locais de produção podem trazer maior autonomia diante de incertezas globais, associando o debate de SAF a estratégias energéticas mais amplas.
O Brasil, segundo o que vem sendo apontado pela Iata, ainda tem caminho longo pela frente para consolidar uma liderança global no SAF, mas os projetos em andamento indicam que o país pode transformar capacidade instalada em produção em escala, desde que acelerem a implementação e atratividade de investimento.
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