- No dia 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas, é ressaltada a importância de reconhecer direitos, territórios e saberes indígenas no setor empresarial e no mercado de trabalho.
- ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial) aponta metas para promover equidade para pessoas negras e indígenas, com foco em relações éticas, consulta livre, prévia e informada e cadeias de valor livres de violações de direitos.
- Movimentos como Raça é Prioridade buscam incluir pessoas negras e indígenas em cargos de liderança até 2030, enquanto Elas Lideram 2030 amplia a presença de mulheres em posições de liderança com foco interseccional, incluindo mulheres indígenas.
- O projeto Reflorestando o Corporativo será lançado para aprofundar o compromisso com equidade étnico-racial, com foco em pessoas indígenas e transformação organizacional.
- Dados do IBGE mostram que povos indígenas respondem por menos de um por cento da população, e menos de 0,1% estão em cargos de liderança no setor privado; além disso, há mais de 500% de aumento na violência contra mulheres indígenas na última década, destacando a necessidade de autonomia financeira e de inclusão efetiva.
No Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, o setor empresarial foi convidado a reconhecer e valorizar os direitos, territórios e saberes dos povos originários do Brasil. A ideia é ampliar práticas responsáveis e alinhadas à agenda ESG no mercado de trabalho.
O compromisso também aparece no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 18, que enfatiza a promoção da equidade étnico-racial e o enfrentamento de desigualdades estruturais no Brasil.
Para o setor empresarial, a data funciona como um chamado à ação: manter relações éticas, respeitar a consulta livre, prévia e informada e assegurar cadeias de valor livres de violações de direitos. A meta é reduzir impactos negativos e ampliar oportunidades.
Mortais números ajudam a entender o cenário. O Brasil tem menos de 1% de povos indígenas na população, segundo o IBGE, e menos de 0,1% nos cargos de liderança das empresas. Esse desalinhamento evidencia uma distância histórica entre o setor privado e os povos originários.
A pauta de gênero também é central. Estudos indicam aumento expressivo, acima de 500%, de violências contra mulheres indígenas na última década. A autonomia financeira surge como um caminho para romper esse ciclo, mas a presença indígena em espaços formais de trabalho ainda é restrita.
Ações e metas do setor
O Movimento Raça é Prioridade busca incluir pessoas negras e indígenas em cargos de liderança até 2030. Em complemento, o Movimento Elas Lideram 2030 amplia a participação de mulheres em posições de liderança com olhar interseccional que contempla mulheres indígenas.
Em breve, será lançado o projeto Reflorestando o Corporativo, voltado a aprofundar o compromisso com a equidade étnico-racial e a promover mudanças estruturais nas organizações, com foco em pessoas indígenas.
A distância entre números e realidade cotidiana inspira a necessidade de políticas de contratação, formação e escuta ativa. O objetivo é manter as trajetórias de mulheres indígenas dentro das organizações, não apenas a presença inicial.
O país só avança rumo à equidade quando reconhece que não há desenvolvimento sustentável sem a participação indígena nas decisões. O fortalecimento dessa presença no empresariado é visto como essencial para o futuro do Brasil.
Desafios e caminhos para a inclusão
A ausência de representantes indígenas no mercado formal não é apenas uma questão de diversidade, mas de proteção, dignidade e sobrevivência. A permanência e o desenvolvimento dessas profissionais demandam ações contínuas e estruturais.
Entre as medidas desejadas estão políticas de contratação deliberadas, oportunidades de formação, programas de mentoria e oportunidades de lideranças com reconhecimento de trajetórias não lineares. O enfoque é a construção de pontes duradouras.
Fortalecer a participação indígena no setor privado não é apenas meta de diversidade; é compromisso com a história, o presente e o futuro do país. A mudança depende de ações constantes que integrem pessoas, territórios e saberes.
Fontes: Verônica Vassalo, Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil; Jennyffer Bekóy Tupinambá, Estrategista Digital – BND Digital e Membro do Comitê Consultivo do Movimento Raça é Prioridade do Pacto Global da ONU – Rede Brasil
Entre na conversa da comunidade