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Diaristas premium ganham espaço e superam salários formais em 8 horas

Diaristas premium alcançam até R$ 1 mil por dia, superando renda média e salários de servidores, mas trazem riscos de precarização sem garantias

Diaristas premium mostram como reinventaram profissão — Foto: g1
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  • Diaristas premium cobram até R$ 1 mil por dia, com escalas de até oito horas, e já superam a renda média do país e salários de servidores públicos.
  • Cláudia Rodrigues passou de ganhos baixos para pacotes de R$ 250 (quatro horas), R$ 280 (seis horas) e até R$ 330 (oito horas), afirmando não aceitar menos de R$ 8 mil por mês.
  • O movimento é um reposicionamento profissional: serviço mais técnico, planejado, com estudo de pisos, uso de produtos adequados, rotinas de organização e equipamentos próprios.
  • Entre 2016 e 2025, o número de trabalhadores domésticos com carteira assinada caiu 21,1%, refletindo queda de vínculos formais e aumento da informalidade.
  • Em 2025, havia 309 mil diaristas registradas como MEI; riscos incluem ausência de FGTS, férias, 13º salário e previdência, levando especialistas a recomendar planejamento, contratos e formalização.

A ascensão das diaristas premium muda o cenário do trabalho doméstico no Brasil. Em bairros de alto padrão, profissionais passaram a oferecer serviços com foco técnico, cronograma definido e equipamentos próprios, cobrando valores que chegam a 1 mil reais por dia em jornadas de até oito horas. O movimento representa um reposicionamento do setor, com a promessa de maior qualidade e organização.

A prática envolve pacotes de serviços com durações variadas e valores agregados conforme o tipo de superfície, limpeza de rotina e organização. Testemunhos de profissionais indicam que a mudança começou ao observarem técnicas de limpeza e gestão difundidas nas redes sociais, além de um olhar mais profissional sobre o serviço.

Entre as diaristas que adotaram esse formato, Cláudia Rodrigues afirma não aceitar menos de 8 mil reais mensais, com agenda consolidada. Gabriela Valente também seguiu trajetória semelhante, cobrando até 1 mil por noite de trabalho, e atuando como mentora e palestrante. Ambas representam casos emblemáticos do movimento.

A transformação ocorre em meio a uma queda histórica do emprego formal no Brasil. Dados do Ministério do Trabalho e do IBGE indicam redução no número de trabalhadores domésticos com carteira assinada e aumento relativo do trabalho informal. Em 2016 havia 1,64 milhão com carteira; em 2025, 1,30 milhão, uma queda de 21,1%.

Ao mesmo tempo, o custo da formalização atua como fator de deslocamento para atividades informais ou MEI. Em 2025, cerca de 309 mil diaristas estavam registradas como MEI, segundo o Ministério do Empreendedorismo. Muitos prestam serviços esporádicos, com diárias, em domicílios, sem vínculo CLT.

Especialistas alertam que a mudança não é representativa da maioria e envolve riscos. Falta de FGTS, férias, 13º salário e aviso prévio são apontados como desvantagens. Mesmo com a formalização como MEI, a contribuição previdenciária é reduzida, o que pode impactar a aposentadoria.

Para quem pretende migrar para esse modelo, recomenda-se planejamento cuidadoso. Calcular custos reais, manter presença digital profissional, valorizar qualidade e formalizar-se como MEI são passos sugeridos por entidades como o Sebrae. A ideia é evitar precificação inadequada e garantir segurança jurídica.

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