- Estudo do FGV Ibre, com dados do IBGE, mostra que brasileiros de 18 a 29 anos mais expostos a profissões com IA têm chance de emprego quase 5% menor após a expansão da IA, em comparação com um cenário anterior à IA.
- A renda dos jovens mais expostos caiu quase 7% desde o início da adoção da IA, segundo o levantamento.
- Tarefas de entrada, como administrativas e de apoio, são as mais substituídas pela IA, impactando principalmente carreiras iniciais.
- Trabalhadores mais velhos apresentam efeito menor, pois atuam em funções de decisão, menos suscetíveis à IA no estágio atual.
- Dados anteriores apontam que quase 30 milhões de trabalhadores estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa, sendo 5,2 milhões em nível elevado, com concentração no Sudeste e em serviços, informação/comunicação e serviços financeiros.
O uso da inteligência artificial (IA) generativa já afeta a empregabilidade e a renda de jovens no Brasil, segundo estudo do FGV Ibre com dados da PNAD Contínua do IBGE. O levantamento analisa trabalhadores entre 18 e 29 anos mais expostos a profissões com maior uso de IA, comparando 2022 (pré-IA) e 2025 (pós-IA).
Os resultados indicam que esse grupo tem quase 5% menos chances de estar empregado do que em um cenário sem IA. A renda também caiu, em torno de 7%, segundo o estudo divulgado pelos pesquisadores do instituto.
A metodologia envolve grupos com perfis semelhantes, trabalhando em profissões expostas ou não à IA. Parte dos trabalhadores mais expostos atuava em serviços de informação e financeiros. Após o surgimento da IA, houve maior perda de vagas entre esses trabalhadores do que entre os menos expostos.
A explicação principal aponta para a substituição de tarefas de entrada, típicas de funções administrativas, de apoio e serviços básicos, que costumam ser portas de entrada na carreira. Em contrapartida, a renda de trabalhadores mais velhos mostra menor sensibilidade à exposição, já que their funções costumam exigir tomada de decisão.
Ao ampliar o alcance da análise, o estudo conjunto com dados de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti aponta que quase 30 milhões de brasileiros estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado, o equivalente a 29,6% da população ocupada.
Desses, cerca de 5,2 milhões tinham alta exposição, com maior presença de jovens, escolaridade elevada e atuação nos setores de informação, comunicação e serviços financeiros, principalmente na região Sudeste. O efeito observado envolve tanto empregos quanto rendimentos.
Especialistas observam que a IA tende a automatizar rotinas repetitivas de posições iniciais, fenômeno que não é exclusivo do Brasil. Estudos internacionais, como da Universidade de Stanford, destacam impactos significativos em início de carreira em ocupações expostas, incluindo desenvolvimento de software e atendimento ao público.
Outra leitura contextualiza que, se a janela de dados ainda é curta, os números já sinalizam um impacto relevante da IA sobre a empregabilidade jovem. Pesquisadores destacam a necessidade de monitoramento contínuo para entender as consequências econômicas e operacionais no mercado de trabalho.
Para o pesquisador Daniel Duque, é cedo para conclusões definitivas, mas o recorte de dados mostra que a IA pode afetar diferentes tipos de trabalho ao longo do tempo, com impactos variando conforme a função e o setor. A tendência aponta para maior eficiência, especialmente em serviços padronizados.
Bruno Imaizumi, da 4intelligence, ressalta que a automação afeta rotinas repetitivas de funções iniciais, echo de observações feitas em mercados internacionais, ampliando o debate sobre políticas públicas e qualificação para trabalhadores em transição.
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