- O governo da Guiana oferece concessão de terras por até 99 anos a agricultores brasileiros, sem custo de aquisição ou aluguel, desde que a área seja efetivamente cultivada, com isenção de impostos sobre máquinas agrícolas e produção rural.
- A proposta envolve cerca de 300 mil hectares de savanas, com solo semelhante ao Cerrado brasileiro, em áreas que não exigem desmatamento para plantio; 86% do território guianense ainda é coberto por matas preservadas.
- O interesse mira importar conhecimento técnico brasileiro em soja e milho para abastecer a produção de ração e crescimento da indústria avícola no Caribe.
- Entre os desafios estão idioma (inglês), mapeamento de terras e infraestrutura de transporte; parte da estrada que leva ao porto de Georgetown ainda carece de pavimentação.
- O governo planeja um banco de investimentos voltado ao setor agrícola, com linhas de crédito de taxas próximas a 0,5% ao ano, para facilitar compras de insumos, sementes e maquinaria.
A Guiana lançou uma política para atrair produtores rurais brasileiros, oferecendo terras gratuitas para investimento agrícola de larga escala. A medida visa fortalecer o setor agroexportador e abastecer o Caribe, apoiada por incentivos fiscais. O foco é impulsionar a produção visando exportação.
Os recursos são destinados a empresas, com concessões de até 99 anos sem custo de aquisição nem aluguel. A exigência é simples: a área precisa ser efetivamente utilizada para cultivo. Não há cobrança de impostos sobre máquinas ou produção rural.
A iniciativa é parte de um plano para diversificar a economia guianense, que já se sustenta em parte pela rica pauta petrolífera. A ideia é reduzir dependência de importações e ampliar a oferta de grãos para a região.
Oferta e áreas disponíveis
O governo reserva cerca de 300 mil hectares de savanas com solo e vegetação semelhantes aos Cerrado brasileiro ou Lavrado de Roraima. Como o plantio ocorre em áreas abertas, não há necessidade de desmatar florestas, segundo a gestão.
O território guianense tem 86% de áreas de mata preservada, o que eleva o apelo ambiental da proposta. A estratégia busca facilitar o início das atividades agrícolas com menor entrave ambiental.
Quem está envolvido e por quê
O ministro da Agricultura da Guiana, Zulfikar Mustapha, destacou o papel do Brasil como referência em soja e milho. O país vizinho pretende usar conhecimento técnico para melhorar ração e produção de frango na região.
A adoção de técnicas brasileiras é apresentada como força motriz da parceria. A proximidade entre os dois países facilita o intercâmbio de tecnologia e práticas de manejo.
Desafios e infraestrutura
Entre os obstáculos estão o idioma inglês, a falta de mapeamento detalhado das áreas e a deficiência de infraestrutura de transporte. A ligação entre a fronteira brasileira e o porto de Georgetown carece de asfaltamento em trechos.
Além disso, a Guiana não conta ainda com grandes players de comercialização ou de processamento de grãos. A mobilização para criar esses elos pode levar tempo e investimentos adicionais.
Apoio financeiro e crédito
O governo guianense planeja criar um banco de investimentos voltado ao setor agrícola, inspirado no modelo do BNDES. Produtores já atuantes relatam disponibilidade de linhas de crédito com taxas próximas de 0,5% ao ano.
Essa linha de crédito visa facilitar aquisição de sementes, insumos e maquinários, reduzindo barreiras financeiras para novos investimentos. O objetivo é ampliar a produção e a exportação guianense.
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