- Agentes de compras autônomos baseados em IA já operam no Brasil, com a Visa realizando as primeiras operações totais no país em março, usando cartões emitidos pelo Banco do Brasil e Santander.
- A previsão é que, até 2030, esses agentes movimentem US$ cinco trilhões globalmente, com o Brasil sendo considerado estratégico para adoção no setor financeiro.
- O piloto brasileiro envolve três bandeiras: Visa (BB e Santander), Mastercard ( Itaú Unibanco e Santander) e Elo, cada uma testando diferentes etapas do processo de compra autônoma.
- Na prática, o sistema autentica pagamentos e utiliza tokenização, permitindo que o assistente faça a transação em nome do cliente com segurança.
- O projeto visa unificar a jornada de compra online, reduzir a fragmentação e tornar o processo mais ágil, com evolução gradual conforme adesão do varejo e capacidade tecnológica dos emissores.
Agentes de IA já operam compras no Brasil, acelerando a corrida tecnológica entre as bandeiras. Em 2030, espera-se movimentarem US$ 5 trilhões globalmente, com parcela relevante vindo do Brasil, segundo a McKinsey & Company.
O conceito, conhecido como comércio agêntico, envolve agentes de IA que buscam os melhores preços, avaliam condições e finalizam compras automaticamente. A ideia é tornar a experiência de compra mais rápida e fluida, sem intervenção humana contínua.
Em março, a Visa realizou as primeiras operações totalmente conduzidas por IA no Brasil, usando cartões emitidos pelo Banco do Brasil e Santander. O processamento foi autorizado previamente e a autenticação fica a cargo da Visa, incluindo tokenização.
A transação pioneira ocorreu com redes brasileiras, mostrando viabilidade técnica do modelo. O marco atraiu interesse de outras emisoras para acelerar a adoção da tecnologia entre bancos e fintechs.
Corrida entre as bandeiras
Pouco mais de 10 dias após o marco da Visa, a Mastercard realizou pagamentos com IA no Brasil, com cartões do Itaú Unibanco e Santander. Os robôs executaram compras ao vivo, de maquiagem a itens de supermercado, com crédito e débito.
Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior da Mastercard Brasil, diz que o projeto atende à demanda por experiências de compra ágeis e seguras, mantendo a confiança já conhecida no ambiente de pagamentos.
A Elo também está atuante, em parceria com a Decolar, visando unificar a jornada de compra online via IA. O piloto permite buscar e pagar passagens usando canais como WhatsApp e sites, com modelos de linguagem como ChatGPT e Gemini.
O CTO da Elo, Eduardo Merighi, afirma que a meta é ampliar a integração com catálogos de varejistas e facilitar a entrada de pequenas e médias empresas no ecossistema. Inicialmente, a conclusão de compras depende de autorização por questões de segurança.
Caminhos e desafios
Especialistas apontam dois caminhos possíveis: modelos verticais, operando dentro de ambientes fechados (site, app ou marketplace), e modelos horizontais, que atuam como intermediários universais. O segundo envolve coordenação entre múltiplos elos da cadeia.
Frederico Succi, da Visa, acredita que os casos verticais já podem surgir ainda neste ano, dadas as características de o Brasil ser um mercado competitivo e rápido na adoção de inovações.
Os modelos horizontais, que buscam operar em qualquer plataforma, enfrentam maior complexidade regulatória e logística. Ainda não houve casos em escala nesse formato.
Independentemente do caminho, pesquisadores indicam que o Brasil pode se tornar protagonista do movimento agêntico. Uma pesquisa encomendada pela Visa, com Morning Consult, mostra que 7 em cada 10 brasileiros já usam IA para comparar preços, planejar presentes ou apoiar decisões de compra, percentual superior ao observado em outros países.
Arnoni, da Mastercard, ressalta que o preparo do consumidor brasileiro para inovações em pagamentos já ficou evidente com o Pix, pagamentos por aproximação e Tap On Phone, apontando que a escala dependerá da evolução do varejo.
O ritmo de implementação seguirá também da preparação tecnológica dos bancos emissores e da aceitação do varejo, que precisa adotar soluções compatíveis com o ecossistema agêntico para ampliar a adoção entre os consumidores.
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