- Estima-se que 39.000 toneladas de roupas usadas são despejadas ilegalmente no Deserto de Atacama, no norte do Chile, todo ano.
- Iquique abriga a Zona Franca do Iquique (Zofri), grande porta de importação de roupas usadas, com cerca de 123.000 toneladas importadas por ano.
- O estoque não vendido costuma ser exportado, taxado para venda além da zona franca ou enviado a empresas de resíduos autorizadas; muitos comerciantes acabam descartando no deserto ou queimando as peças de forma irregular.
- Uma solução está sendo desenvolvida em Iquique, com foco na reutilização de roupas não vendidas, incluindo a construção de uma fábrica que deverá processar até 20 toneladas por dia.
- O empresário Bekir Conkur investiu cerca de 7 milhões de dólares na fábrica, que transformará roupas usadas em fibras e feltro, visando atender à lei de Extended Producer Responsibility (responsabilidade ampliada do produtor).
O que está acontecendo: toneladas de roupas usadas são descartadas ilegalmente no Deserto de Atacama, no norte do Chile. Estima-se que cerca de 39 mil toneladas são jogadas anualmente nessa região, após ficarem sem saída nas importações de vestuário usado.
Quem está envolvido: o fenômeno envolve importadores, comerciantes e feirantes dentro da Zona Franca de Iquique (Zofri), além de autoridades locais de Alto Hospicio. Também participam empresas privadas e organizações voltadas à economia circular, que trabalham para justificar o fim adequado das peças.
Quando e onde ocorreu: o descarte irregular ocorre há anos no entorno de Alto Hospicio, cidade próxima a Iquique, no Atacama. Recentemente, a fiscalização ganhou repercussão com relatos de monitoramento por parte da prefeitura local.
Por que acontece: roupas de menor qualidade acabam não vendidas e acabam descartadas para evitar custos de exportação, tributação ou destinação adequada. Descarte irregular resulta em queimadas ou despejo no deserto, segundo investigações e relatos locais.
Como funciona o sistema atual: a Zofri facilita a importação, armazenamento e venda de roupas usadas sem impostos. Peças redistribuídas podem ir ao varejo local, exportação ou, quando inviáveis, gerar estoque que usa recursos públicos em descarte formal.
Desdobramentos econômicos: a cidade de Iquique afirma que o setor emprega principalmente mulheres da região. Trabalhadoras ajudam a classificar as roupas por qualidade, em um trabalho que não exige alta qualificação, segundo o gerente geral da Zofri.
Impacto ambiental e solução: o descarte no deserto levanta preocupações ambientais e de imagem turística. Um movimento privado propõe reciclagem industrial: transformar roupas não vendidas em fibras, feltro e insumos para colchões, mobiliário e isolamento.
Nova fábrica e lei: Bekir Conkur, empresário turco que atua no Chile, investiu cerca de 7 milhões de dólares na instalação de uma fábrica. O objetivo é processar até 20 toneladas por dia, convertendo roupas em fibras sem necessidade de água ou químicos.
Mudança regulatória: a cadeia de moda passa a responder pela gestão de resíduos têxteis por meio da Lei de Responsabilidade Extendida do Produtor. A norma exige que marcas, varejistas e importadores assumam custos de coleta, reaproveitamento ou descarte adequado.
Perspectiva futura: a fábrica visa reduzir o volume de roupas descartadas no Atacama e ampliar o aproveitamento de estoque ocioso. A expectativa é que a inovação impulsione práticas mais sustentáveis na região e no país.
Fontes e contexto: o cenário envolve dados oficiais sobre importação de roupas usadas, relatos de autoridades locais, iniciativas de economia circular e investimentos privados. As informações destacam o dilema entre geração de empregos e preservação ambiental.
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