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Shoppings enfrentam queda de público e vendas e discutem horários

Queda de público e faturamento leva shoppings a discutir horários e novas âncoras, com o almoço como principal movimento

Silvio Stagni, presidente da Allied Tecnologia: metade das lojas Samsung em shoppings fechadas desde a pandemia
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  • Visitas aos shoppings caíram 6,2% entre 2019 e 2025, com média de 471 milhões de visitas por mês em 2025; as vendas reais caíram 25% no mesmo período, apesar do faturamento nominal ter subido para R$ 200,9 bilhões.
  • A Allied Tecnologia fechou quase metade dos pontos Samsung no Brasil desde a pandemia, de 180 lojas em 2020 para 95; as lojas que permaneceram tiveram faturamento médio de cerca de R$ 564 mil mensais cada.
  • O comércio online ganhou relevância: 235,5 bilhões de reais em vendas em 2025, alta de 15,3% ante 2024, com crescimento real de 88% desde 2019; o online passou a superar o shopping em faturamento desde 2024.
  • O debate sobre horário de funcionamento ganhou força: propostas vão desde abrir mais cedo e fechar mais cedo até manter ou manter o atual horário de 12 horas; diversas entidades defendem ajustes para reduzir custos e manter o fluxo.
  • Perspectivas variam por região e modelo de loja: Nordeste demonstra crescimento, enquanto Sul e Sudeste aparecem com sinais de esgotamento; o setor busca novas vocações para atrair público, como gastronomia, eventos e serviços.

O movimento em shoppings brasileiros segue em queda: o total de visitantes caiu 6,2% entre 2019, período pré-pandemia, e 2025, segundo a Abrasce. Já as vendas reais recuaram 25% no mesmo intervalo, mesmo com o faturamento nominal registrando alta de 4,2% de 2019 a 2025.

A Allied Tecnologia, distribuidora de produtos eletrônicos que opera a maioria das lojas Samsung no país, fechou quase metade de seus pontos desde a pandemia. O saldo mostra 95 lojas remanescentes, todas em shopping centers, com faturamento médio mensal de cerca de R$ 564 mil por loja.

A mudança de comportamento do consumidor é apontada como principal fator pela companhia para o fechamento de pontos, em especial pela migração para compras online. Dados da Abrasce indicam que as visitas mensais caíram de 476 milhões em 2024 para 471 milhões em 2025, primeiro recuo após a retomada.

Horário de funcionamento e novas estratégias

O setor discute o impacto de horários mais restritos ou ampliados. Empresários defendem manter ou ajustar a abertura para acompanhar os horários de almoço, que hoje correspondem ao período mais movimentado do dia. O argumento é que o almoço ganhou peso no fluxo de clientes.

Para Silvio Stagni, presidente da Allied Tecnologia, o horário de funcionamento não precisa chegar às 22h; fechar entre 20h e 21h seria suficiente. Já o início da manhã é visto como período de menor demanda, o que dificulta mudanças significativas nesse ponto.

O apontado desafio de manter atratividade envolve custos de pessoal e a necessidade de encontrar novas âncoras para atrair público, como experiências gastronômicas, eventos e serviços. O comitê setorial analisa se reduzir horas poderia impactar negativamente o aluguel ou se seria compensado por maior circulação em horários estratégicos.

Especialistas ressaltam que a internet concentra cada vez mais as compras, ajudando a sustentar o varejo online frente ao varejo físico. Mesmo com ajustes, o caminho para os shoppings passa por redefinir papéis, formatos de uso do espaço e parcerias que ampliem a visitação, sem justificar um retorno automático ao modelo anterior de funcionamento.

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