- O BTG projeta piora no 1º tri para 43% das 126 empresas sob cobertura, em razão da pressão de dívidas e juros elevados.
- Apesar da melhora operacional em parte, o custo da dívida deve puxar o resultado para baixo, com 74% das companhias devendo ter EBITDA em alta anual.
- No fim do 1º tri, a Selic caiu para 14,75%, mas o custo financeiro continua alto e não basta para aliviar as despesas com juros.
- Exemplo: Vulcabras deve ter queda de 18,2% no lucro líquido no 1º tri, mesmo com EBITDA crescendo; Dexco prevê queda de 36,4% no lucro, apesar de EBITDA positivo.
- No setor imobiliário, Multiplan espera lucro 25,1% menor no 1º tri, com EBITDA em leve alta, reforçando a pressão de endividamento e juros.
O BTG Pactual projeta que 43% das 126 empresas abertas sob sua cobertura devem apresentar piora no resultado do 1º trimestre, influenciadas pelo peso da dívida e pelos juros elevados. A temporada de balanços começa nesta semana.
Segundo o banco, parte da deterioração se deve ao custo da dívida, enquanto a linha operacional tende a apresentar ganhos em alguns casos. Em relação a EBITDA, a projeção aponta crescimento para 74% das companhias na comparação anual.
A taxa Selic, de referência para as dívidas corporativas, caiu para 14,75% no fim do 1º trimestre, mas permanece acima das previsões de cortes mais expressivos. O aperto financeiro deve manter a pressão sobre resultados, mesmo com melhora operacional.
Panorama do cenário e impactos setoriais
Entre as empresas com piora no lucro líquido, quase metade deve ter melhora operacional, deslocando o peso para o resultado financeiro. O efeito não é uniforme e se repete em diversos setores.
Exemplos em análise pelo BTG incluem Vulcabras, Dexco e Multiplan, onde endividamento elevado elevou despesas financeiras e pressionou lucros, apesar de margens operacionais positivas em alguns casos.
#### Vulcabras
A Vulcabras encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 769,4 milhões, alta frente a 2024, majoritariamente financiada no segundo semestre. As despesas financeiras cresceram 90% no 4º trimestre de 2025, impactando o resultado líquido.
Para o 1º trimestre, o BTG projects queda de 18,2% no lucro líquido, enquanto o EBITDA tende a subir 10,6% anual. A empresa atuou com venda de ativos para calibrar balanço.
#### Dexco
A Dexco registrou prejuízo financeiro de R$ 222,5 milhões no 4º trimestre de 2025, 42,4% acima de 2024. Com isso, o lucro líquido de 2025 recuou 46%, apesar de EBITDA avançar 12% no período.
Para o 1º trimestre, o BTG espera EBITDA com alta de 26,1% e lucro líquido em queda de 36,4%. A alavancagem elevada é apontada como motor principal da pressão.
#### Multiplan
A Multiplan teve prejuízo financeiro de R$ 537,7 milhões em 2025, aumento de 179%. O BTG prevê lucro 25,1% menor no 1º tri, ainda com EBITDA levemente positivo, de 0,9% em relação ao ano anterior.
Analistas destacam que juros mais altos e endividamento elevado dificultam a recuperação de lucros, mesmo com melhoria de operações em algumas empresas.
Perspectivas macro
No cenário macro, o mercado revisou para cima as projeções de Selic e inflação, com estimativas de fim de ano próximo a 13% e IPCA em torno de 4,88%. Economistas preveem continuidade de pressão sobre resultados financeiros.
A direção das companhias deve manter o foco em gestão de endividamento e eficiência operacional para enfrentar o atual ciclo de juros elevados, mesmo com sinais de recuperação em atividades operacionais.
Conclusão provisória
A temporada de balanços do 1º tri traz um desdobramento comum: melhora operacional em parte das empresas, mas o peso da dívida e dos juros compromete o resultado líquido em diversos casos. As próximas divulgações devem esclarecer o ritmo dessa recuperação.
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