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Desastres climáticos reduzem o PIB em até R$ 110 bi por ano

Desastres climáticos já somam perdas de R$ 110 bilhões por ano no PIB, revelando falhas no financiamento público para ações climáticas

Eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas, aumentam perdas econômicas e pressionam gastos públicos no Brasil
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  • Estudos do Centro Internacional Celso Furtado indicam perdas médias de cerca de R$ 110 bilhões por ano ao PIB brasileiro devido a desastres climáticos extremos, com impactos diferentes por setor.
  • Secas reduzem o PIB municipal em média 2% ao ano, efeitos que podem durar até cinco anos; chuvas extremas reduzem o PIB no ano do evento em cerca de 1%.
  • Eventos extremos também elevam custos sociais: secas aumentam 89% o número de feridos ou doentes; chuvas intensas elevam danos materiais em 440%; desabrigados sobem 66%.
  • Projeções de aquecimento apontam: +2°C leva a perdas de 144,6 bilhões; +4°C pode chegar a 196,7 bilhões, com mais municípios atingidos por secas.
  • Gasto público climático mostra que o governo destinou 150,7 bilhões entre 2019 e 2024, 82,4% indiretos e 17,6% diretos; houve 23,3 bilhões em resposta/reconstrução e 2,4 bilhões em prevenção.

O Centro Internacional Celso Furtado (CICEF) apresenta dados sobre impactos econômicos de eventos climáticos extremos no Brasil. Dois relatórios, de março de 2026, mostram perdas médias de 110 bilhões de reais por ano no PIB e apontam falhas no financiamento público para ações de mitigação e adaptação.

Os estudos utilizam dados do IBGE, Tesouro Nacional e informações meteorológicas internacionais, cobrindo 2000 a 2023. Secas reduzem o PIB municipal em média 2% ao ano, com efeitos que podem durar até cinco anos; chuvas extremas provocam queda de cerca de 1% no PIB no ano do evento.

Desastres e perdas

Ao todo, o efeito agregado soma 110 bilhões de reais anuais. A agropecuária registra maiores perdas em períodos de seca, acima de 7,5% nos primeiros anos, enquanto indústria e serviços também registram retração.

Danos sociais e materiais

Secas elevam em 89% o número de feridos ou doentes; chuvas intensas aumentam em 440% os danos materiais. Feridos ou doentes sobem 126% e desabrigados, 66% em eventos de chuva. Secas têm efeito mais prolongado; chuvas causam impactos mais imediatos, concentrados em infraestrutura e moradia.

Cenários de aquecimento

Com +2°C, perdas sobem para 144,6 bilhões/ano. Em +4°C, prejuízos com secas podem chegar a 196,7 bilhões e até 1,5 milhão de pessoas serem afetadas. Municípios atingidos por secas tende a crescer 42% no cenário intermediário.

Diferenças regionais

Regiões não sofrem de forma uniforme. O semiárido concentra perdas com secas, mas apresenta alguns mecanismos de adaptação. O litoral registra maior impacto por chuvas extremas e danos materiais, com recuperação de arrecadação mais lenta.

Gasto público climático

Entre 2019 e 2024, o governo destinou 150,7 bilhões de reais a ações climáticas, equivalentes a 1% das despesas primárias. Desses recursos, 82,4% são indiretos classificados como significativos, e 17,6% são gastos diretos voltados ao clima.

Resposta e prevenção

A maior parte dos recursos foi destinada a resposta a desastres e reconstrução (23,3 bilhões de reais), enquanto apenas 2,4 bilhões foram investidos em prevenção. Em 2024, cerca de 10 bilhões foram usados em ações emergenciais após eventos no Rio Grande do Sul.

Renúncias fiscais e coerência

Incentivos ao clima somam 142 bilhões de reais, versus 198,6 bilhões de benefícios considerados desfavoráveis. Desonerações de combustíveis fósseis aparecem entre as causas, o que reduz a efetividade das políticas ambientais. O estudo recomenda articular alocação orçamentária e política tributária para ampliar a coerência climática.

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