Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Ordos Kangbashi: cidade chinesa cresceu mais rápido que a população

Ordos Kangbashi, cidade planejada com infraestrutura de ponta, mantém ocupação aquém da capacidade, evidenciando tensão entre crescimento e demanda

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Ordos Kangbashi, na Mongólia Interior, é exemplo de “cidade fantasma tecnológica” com infraestrutura e arquitetura modernas, mas ocupação menor do que a prevista.

  • A cidade foi pensada para abrigar entre 300 mil e 1 milhão de habitantes, impulsionada pela riqueza local, mas, por volta de 2010, cerca de 20 a 30 mil moradores fixos estavam estabelecidos.

  • O fenômeno envolve superinvestimento em infraestrutura e um ciclo de construção ligado ao mercado imobiliário, com uso variável do espaço e valor agregado pela indústria de recursos naturais.

  • Hoje ainda há contraste entre obras grandiosas e ruas relativamente vazias em partes residenciais e comerciais, mesmo com escolas e serviços públicos em funcionamento.

  • A ocupação vem aumentando gradualmente até 2025, mas Kangbashi permanece como observatório dos limites entre crescimento econômico, demanda habitacional e planejamento urbano sustentável.

Ordos Kangbashi, distrito da Região Autônoma da Mongólia Interior na China, ficou famoso por arranha-céus vazios e infraestrutura de ponta. A proposta era criar uma nova centralidade administrativa e residencial, com previsão de até 1 milhão de habitantes, financiada por recursos locais e investimentos estatais. O fenômeno ganhou o rótulo de cidade fantasma tecnológica.

Durante a década de 2010, imagens de avenidas desertas, praças sem circulação e prédios recém-construídos com poucas janelas acesas ajudaram a consolidar a imagem de superinvestimento em infraestrutura, ligado à expansão do PIB e ao mercado imobiliário. O caso tornou-se símbolo de debates sobre planejamento urbano no século XXI.

Contexto e conceito

O conceito de cidade fantasma tecnológica descreve áreas com arquitetura recente, vias largas e museus de grande porte, mas baixa ocupação. Kangbashi foi planejada para atrair funcionários públicos, trabalhadores de energia e serviços, almejando entre 300 mil e 1 milhão de moradores a longo prazo.

Por volta de 2010, a ocupação efetiva ficava entre 20 e 30 mil moradores. Dados atualizados até 2025 indicam avanço gradual, com escolas e repartições públicas em funcionamento, além de parte do comércio. Ainda assim, o ritmo de presença humana permanece abaixo da capacidade instalada.

Situação atual

A construção de Kangbashi serviu como laboratório de planejamento de longo prazo, com custos elevados em obras e terrenos. A queda no valor de ativos e a redução do crédito contribuíram para menor ocupação em bairros específicos, mantendo o espaço como símbolo de tensão entre crescimento econômico e demanda habitacional.

O setor imobiliário chinês teve peso expressivo na atividade econômica, com impactos diretos na construção civil. Em 2023 e 2024, autoridades enfatizaram que casas devem morar, não ser apenas investimento, sinalizando mudanças regulatórias para conter especulação.

Desdobramentos urbanos

Mesmo com ativos imobiliários ocupados em parte, Kangbashi revela contraste entre arquitetura contemporânea e circulação reduzida. O distrito mantém museus, teatros e espaços públicos bem cuidados, mas a presença de pedestres e veículos é relativamente baixa em horários não de pico.

Com o tempo, famílias ligadas ao funcionalismo, profissionais de educação e saúde passaram a residir no local. A ocupação continua desigual entre quadras, com alguns prédios com alta ocupação e outros com lojas fechadas ou usadas de forma esporádica, o que evidencia desafios de vida urbana intensa sem expansão equivalente da demanda.

Perspectiva histórica

Ordos Kangbashi mostra os limites de o planejamento urbano avançar sem correspondência completa da demanda. O município busca equilibrar metas de crescimento econômico, estabilidade social e uso efetivo da infraestrutura. As ruas, praças e edifícios já erguidos compõem o cenário, mas aguardam maior fluxo de pessoas para completar o ciclo urbano.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais