- Em março, a captação líquida de fundos de investimento caiu 83,4%, para R$ 10,6 bilhões, puxada por resgates em fundos de renda fixa em meio a maior aversão ao risco.
- Os ETFs tiveram entrada líquida de R$ 6,9 bilhões, seguidos de R$ 4,5 bilhões em renda fixa e R$ 2,4 bilhões em Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios; ano acumula captação de R$ 130,3 bilhões.
- A poupança também registrou saques, totalizando R$ 11,1 bilhões em março; no trimestre, retiradas somaram R$ 41,2 bilhões.
- O IPCA de março subiu para 0,88%, com expectativa de inflação encerrando o ano acima da meta de 4,50%, devido a importação de petróleo mais caro e ao conflito no Oriente Médio.
- Especialistas apontam endividamento elevado e custo de vida pressionando a poupança, com cautela sobre novos programas de renegociação de dívidas e estímulo ao crédito.
Em março, mesmo com a Selic em 14,75% ao ano, saques em fundos de investimento e na poupança cresceram. Analistas apontam que inflação elevada, petróleo caro e endividamento pressionaram a capacidade de poupar dos brasileiros.
Dados da Anbima mostram a captação líquida total dos fundos de investimentos em terreno negativo, em 83,4% de queda, de 63 bilhões para 10,6 bilhões. Saques em renda fixa pesaram nesse resultado.
Deslocamento de fluxos
Os ETFs tiveram a maior entrada líquida em março, de 6,9 bilhões, seguidos pela renda fixa, com 4,5 bilhões. A classe de renda fixa, porém, caiu 91,9% frente a fevereiro. Os FIDC entraram com 2,4 bilhões.
Apesar da queda de março, a captação líquida da renda fixa acumula 130,3 bilhões no ano, mantendo-se na liderança. Ao mesmo tempo, a poupança continua com saídas: 11,1 bilhões em março, segundo o BC.
Cenário de inflação e endividamento
O IPCA de março subiu para 0,88%, frente 0,70% em fevereiro. A leitura anual já indica alta acima de 5% para o ano, segundo analistas, pressionada por guerra no Oriente Médio e alta de commodities.
Com Serasa apontando 81,7 milhões de endividados em fevereiro, o maior registro da série histórica, famílias seguem comprometendo parte da renda com dívidas. O BC mostrou 59,7% da renda familiar endividada em janeiro.
Implicações para políticas públicas
Especialistas alertam que o ambiente de juros altos e inflação elevada dificulta renegociação de dívidas sem gerar efeitos inflacionários adicionais. A equipe econômica trabalha em propostas ligadas a fontes de crédito e condições de renegociação.
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