- O Brasil fez da destinação de pneus inservíveis uma política pública de logística reversa, com base na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos e na Resolução Conama 416/2009, que obriga fabricantes e importadores a coletar e destinar os pneus usados.
- Dados do Ibama, no Relatório de Pneumáticos de 2025 referente a 2024, apontam 94,92% de cumprimento da meta nacional, com mais de 784 mil toneladas destinadas.
- A ABIDIP coordena a logística reversa, enquanto a ABRERPI facilita a transformação dos pneus reciclados em insumo para a indústria, conectando coleta, reciclagem e uso industrial.
- No Paraná, há uso de mão de obra prisional, sob coordenação da Polícia Penal, na recuperação de pneus, com remuneração e redução de pena prevista pela Lei de Execução Penal.
- O material processado vira pó de borracha e é utilizado na fabricação de asfalto-borracha, exemplo típico da Ponte Matinhos–Guaratuba, que ganhou pavimento mais durável e resistente.
A destinação de pneus inservíveis deixou de ser apenas um desafio ambiental. No Brasil, o problema ganhou solução prática, integrada a saúde pública, economia e infraestrutura, com efeito positivo também no sistema penitenciário. O caminho é regulado e em funcionamento.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos definiu a logística reversa como regra de responsabilidade compartilhada. No setor de pneus, normas específicas, como a resolução Conama 416/2009, orientam a coleta e destinação ambientalmente adequada dos pneus usados.
Dados oficiais do Ibama, no Relatório de Pneumáticos 2025 (referente a 2024), indicam 94,92% de cumprimento da meta de destinação, com mais de 784 mil toneladas efetivamente recicladas. O sistema funciona com alto grau de aderência às metas regulatórias.
Estrutura institucional e cadeia produtiva
A ABIDIP coordena a logística reversa, assegurando destinação adequada dos pneus inservíveis. A ABRERPI representa o setor de reciclagem, transformando o resíduo em insumo produtivo.
No Paraná, houve integração adicional: mão de obra prisional é empregada no processamento de pneus, sob coordenação da Polícia Penal. A iniciativa segue a Lei de Execução Penal, promovendo ressocialização e remuneração aos apenados.
O material processado vira pó de borracha, que é usado na indústria de asfalto. O asfalto-borracha aumenta durabilidade, reduz fissuras e pode ampliar a vida útil das vias.
Ponte Matinhos–Guaratuba e resultados
Na obra da Ponte Matinhos–Guaratuba, o Concreto Betuminoso Usinado a Quente modificado com borracha de pneus reciclados está sendo aplicado. O recurso melhora desempenho estrutural e reduz custos de manutenção.
Essa união entre meio ambiente, saúde, penitenciário e infraestrutura mostra uma política pública integrada. O Brasil já possui milhões de pneus reciclados e milhares de quilômetros pavimentados com essa tecnologia.
O desafio atual envolve ampliar a escala e consolidar incentivos para replicar o modelo em todo o território. A prática demonstra que a economia circular pode ser mensurável e eficaz.
A síntese aponta que o pneu retirado das ruas para combater a dengue pode sustentar rodovias. O passo seguinte é ampliar o alcance dessa solução já consolidada no país.
Ricardo Alípio da Costa, presidente executivo da ABIDIP, reforça o papel da cadeia como ativo estratégico nacional para infraestrutura e desenvolvimento.
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