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Alta do diesel eleva custos na cadeia da cana ao milho

Diesel acima de 23% eleva custos por hectare, chegando a até R$ 355 na cana, pressionando margens e aumentando o risco no campo

Aumento já eleva os custos de produção das principais culturas entre R$ 40 e R$ 355 por hectare.
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  • Em abril de dois mil e vinte e seis, o diesel ficou a sete reais e cinquenta e cinco centavos por litro, com alta superior a vinte e três por cento no país em pouco mais de um mês, impulsionada pela tensão no Oriente Médio.
  • Levantamento do Projeto Campo Futuro (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil / Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) e da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul aponta que o aumento eleva os custos de produção entre quarenta e cinquenta e cinco reais por hectare, elevando o custo total do agronegócio brasileiro em cerca de sete bilhões e duzentos milhões de reais.
  • A cana-de-açúcar é a cultura mais impactada, com avanço de até trezentos e cinquenta e cinco reais por hectare, seguida do arroz, com cerca de duzentos e três reais por hectare, reflexo da intensa mecanização e do uso de energia em irrigação.
  • Soja, milho e trigo apresentam impactos menores por hectare, variando aproximadamente de quarenta a setenta e cinco reais para o milho e de quarenta e dois a quarenta e oito reais para soja e trigo, devido à menor intensidade de operação por área e a ganhos de escala.
  • Caso o reajuste persista, o efeito pode superar14 bilhões de reais, ampliando a pressão sobre margens, decisões de plantio e a oferta no médio prazo.

O aumento recente do diesel já afeta diretamente o agronegócio brasileiro, elevando custos e o risco operacional durante o calendário agrícola. Em pouco mais de um mês, o combustível subiu mais de 23% no país, impulsionado pela valorização do petróleo diante de tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Um levantamento do Projeto Campo Futuro (CNA/CEPEA) em parceria com a Farsul aponta que o impacto não é marginal. Com o diesel em torno de R$ 7,55 por litro em abril de 2026, os custos de produção sobem entre R$ 40 e R$ 355 por hectare, elevando o impacto setorial a cerca de R$ 7,2 bilhões.

A variação percentual do combustível é similar entre culturas, mas o efeito financeiro varia conforme a mecanização de cada sistema produtivo. Quanto maior o uso de diesel por hectare, maior o peso do custo adicional.

Impacto por cultura

Na cana-de-açúcar, o aumento chega a R$ 355 por hectare, refletindo atividades intensivas em máquinas como colheita, transbordo e transporte. O arroz registra alta de R$ 203 por hectare, devido ao grande número de operações e à irrigação que eleva o consumo de energia.

Soja, milho e trigo apresentam impactos menores, entre aproximadamente R$ 40 e R$ 75 por hectare para o milho e entre R$ 42 e R$ 48 para soja e trigo, resultado de menor intensidade operativa por hectare e ganhos de escala, especialmente na segunda safra.

Perspectivas e implicações

O efeito do diesel se agrava no período entre colheita e plantio, momento de maior demanda e consumo de combustível. Margens operacionais sofrem compressão e o risco financeiro no campo aumenta, mesmo com preços agrícolas que nem sempre acompanham altas.

Caso o ritmo de alta do diesel persista, as estimativas indicam possibilidade de o impacto superar R$ 14 bilhões, tornando o combustível um vetor de risco central para o agronegócio brasileiro em 2026, influenciando decisões produtivas e custos.

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