- Em 2025, o private equity espanhol passou de 51 para 250 operações no setor de renováveis, conforme a plataforma Deale.
- O PE respondeu por 33,2% das operações corporativas no mercado espanhol de renováveis em 2025, subindo de 2% em 2020.
- A maior parte dos investimentos está em parques solares, com predominância acima de 80% a 90% nos últimos anos.
- O aumento de recursos elevou a competição e levou fundos a aceitar mais risco para manter retornos de dois dígitos, frente a margens comprimidas no setor.
- Preços negativos de energia em horas de ponta trazem desafios; contratos a longo prazo e baterias são caminhos adotados, mas com custos elevados na Espanha.
O capital de risco ampliou sua presença no setor de renováveis na Espanha. Em 2025, o private equity representou 33,2% das operações, frente a 2% em 2020, segundo a plataforma Deale citada pelo jornal Cinco Días. O saldo total de operações disparou de 51 para 250 no mesmo período.
O crescimento ocorreu em um contexto de transição energética e objetivos de descarbonização, que aumentaram a visibilidade de investimentos de longo prazo. As gestoras de private equity passaram a financiar projetos renováveis com maior frequência, especialmente parques solares.
Em termos de atuação, o peso das operações está concentrado principalmente em parques solares, a fim de explorar margens associadas à evolução tecnológica. Analistas observam que a prática tem aumentado a competição entre fundos por ativos similares.
Estrutura de negócios e players
A gestora Kgal é citada como uma das firmas de private equity mais antigas no setor solar espanhol. Ela investiu em quatro parques entre 2009 e 2011 e retomou aquisições a partir de 2017, além de projetos em desenvolvimento em regiões como Cádiz e Córdoba.
Segundo Fabio Garcia, gestor da Kgal, a maturidade do mercado permite assumir riscos maiores, contanto que haja profissionais qualificados para compor equipes no desenvolvimento dos projetos. Não há dados públicos sobre o share dessas operações em fases ainda em desenvolvimento.
Cenário financeiro e riscos
O incremento de capital privado ocorre em um ambiente de margens comprimidas pela abundância de oferta renovável. Os preços de energia chegaram a terreno negativo em alguns momentos na Europa, o que pressiona os produtores e a cadeia como um todo.
Em horários de menor demanda, a energia pode indicar excedente, com apontes de desperdício de produção. Dados de Entsoe, compilados pela consultoria Pexapark, indicam que a Espanha perde em média mais de uma hora de produção diária.
Contratos e soluções
Para mitigar impactos, contratos de longo prazo com preços fixos aparecem como solução para preservar a estabilidade de receitas, especialmente quando o mercado apresenta volatilidade. Junto a isso, baterias em parques vêm sendo discutidas como forma de armazenar energia para uso posterior.
A adoção de baterias ainda é baixa na Espanha, estimada em cerca de 5% dos parques renováveis, devido aos custos de produção. Observadores destacam que a expansão dependerá de incentivos econômicos e avanços tecnológicos.
Desdobramentos
A presença crescente de private equity pode elevar a competição por ativos, pressionando retornos. Ao mesmo tempo, a estratégia de financiamento integral de construção dá maior controle sobre projetos, segundo representantes do setor. O tema segue em monitoramento conforme avanços tecnológicos e condições de mercado.
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