- Em 2026, devem ocorrer cerca de 39 leilões na infraestrutura, com investimentos acima de 70 bilhões de reais, ampliando o espaço para crédito privado.
- Os ativos mais usados devem ser debêntures de infraestrutura e fundos de investimento focados nesses ativos, com isenção de imposto de renda em alguns casos.
- Vantagens incluem remuneração acima da inflação (IPCA mais taxa prefixada) e possibilidade de ganhos superiores a outros ativos de renda fixa, mas com maior risco de crédito.
- Não é para todo investidor: o crédito privado exige conhecimento financeiro, perfil de risco adequado e, muitas vezes, prazos longos (a depender, de 7 a 15 anos).
- Principais cuidados: analisar saúde financeira do emissor, diversificar emissores e setores, avaliar o rating, o custo de captação alto pode impactar retornos, e considerar opções via fundos com gestão profissional.
O calendário de leilões e concessões previsto para 2026 deve impulsionar o mercado de crédito privado no Brasil, com projetos de infraestrutura saindo do papel. A expectativa é de um robusto fluxo de novos títulos para investidores pessoas físicas, porém com exigência maior de cautela na seleção dos ativos.
Especialistas destacam que o crédito privado envolve o empréstimo de recursos a empresas privadas para investimentos, expansão ou reestruturação. Entre os instrumentos mais usados estão CRI, CRA e debêntures, inclusive as incentivadas de infraestrutura com IR isento.
2026: o ano do crédito privado
Ao longo do ano, a previsão de 39 leilões no setor de infraestrutura aponta investimentos acima de 70 bilhões de reais no curto prazo. Rodovias, saneamento, portos e mobilidade compõem o conjunto de projetos que devem atrair emissores e investidores.
Historicamente financiados por bancos públicos, esses projetos demandam capital privado em grande escala. Caio Crepaldi, chefe de crédito privado do ASA, aponta que o volume é tão grande que o setor precisa de recursos não públicos, com as debêntures de infraestrutura entre os protagonistas.
Como funciona e atratividade
As empresas captam recursos no mercado de capitais para viabilizar investimentos, com recebimento de recursos majoritariamente de pessoa física, fundos de infraestrutura e private equity. O benefício fiscal de isenção de IR torna esses ativos competitivos, muitas vezes superando outras opções da renda fixa.
Guilherme Almeida, da Suno, explica que debêntures de infraestrutura geralmente pagam IPCA mais taxa fixa, acima da inflação, porém o prêmio pode não compensar o risco. Em alguns casos, o retorno fica abaixo do Tesouro, que é considerado sem risco de crédito.
Quem deve investir
Especialistas citam que esse tipo de investimento não é para todo perfil. Investidores com conhecimento financeiro e disposição para acompanhar o mercado podem considerar montar carteira própria, mas é preciso aceitar a possibilidade de perdas.
Há dois perfis destacados: investidor de longo prazo, com prazos entre 7 e 15 anos, apto a manter o papel até o vencimento; e quem aceita maior risco para potencial ganho. Quem busca curto prazo ou é conservador deve evitar.
Riscos a considerar
O cenário apresenta volatilidade atípica para 2026, com juros elevados, incertezas fiscais e tensão eleitoral. O crédito privado carrega risco de inadimplência e de marcação a mercado, o que pode afetar o preço diário dos títulos.
Com a Selic em 14,75%, a rentabilidade oferecida já é atrativa apenas se compensar o risco. Casos recentes de recuperação extrajudicial mostram que endividamento elevado e fluxo de caixa insuficiente elevam o risco de rolar a dívida.
O que analisar antes de investir
A orientação é priorizar a avaliação da saúde financeira do emissor em vez de se guiar apenas pela rentabilidade. Verificar balanços, fluxo de caixa, endividamento, rating de crédito e cenário estratégico ajuda a medir o risco.
Diversificação é recomendada para reduzir o risco de concentração. Participantes podem optar por fundos, que oferecem gestão profissional e uma lâmina com múltiplos emissores, reduzindo a exposição individual.
A orientação é escolher ativos com cautela e considerar a compatibilidade com o perfil e o objetivo de investimento. Em fundos, vale checar a política de investimento, taxas e o histórico de entrega do gestor.
Entre na conversa da comunidade