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Fim da escala 6×1 pode elevar custos para médias empresas, diz especialista

Fim da escala 6×1 pode elevar custo da hora e pressionar médias empresas; transição gradual e apoio econômico são essenciais para mitigar impactos

Mudanças na lei trabalhista em discussão (RafaPress/Getty Images)
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  • O fim da escala 6×1 pode elevar o custo da hora trabalhada e pressionar a rentabilidade das médias empresas se os salários permanecerem estáveis.
  • A mudança exigiria reestruturação operacional e transição gradual para reduzir impactos no curto prazo.
  • Segmentos mais sensíveis seriam comércio, serviços, logística, turismo e saúde, com necessidade de reforço de equipes e reconfiguração de turnos.
  • No curto prazo, empresas podem postergar contratações, revisar custos e ampliar terceirização ou informalidade; ganhos de eficiência podem ocorrer com reorganização, em cenários favoráveis.
  • Para mitigar impactos, defendem-se adaptação gradual, negociação setorial, flexibilidade de modelos, banco de horas e incentivos econômicos temporários, incluindo linhas de crédito.

O fim da escala 6×1 e a adoção de jornadas mais curtas estão em debate no Brasil e podem trazer impactos relevantes para médias empresas. A avaliação é do advogado Armando Gomes da Rocha Júnior, sócio coordenador da área trabalhista do Marcelo Tostes Advogados, que ressalta a necessidade de transição gradual para evitar efeitos econômicos abruptos.

Segundo o especialista, manter salários mensais nos níveis atuais elevaria o custo da hora trabalhada. A consequência mais imediata seria pressionar a rentabilidade, afetar o fluxo de caixa e dificultar investimentos, especialmente em setores com margem apertada e alta dependência de mão de obra.

Setores sensíveis a alterações são comércio, serviços, logística, turismo e saúde, que exigem operação contínua e grande funcionalidades de staff. Nesses casos, mudanças de escala demandariam reforço de equipes, redistribuição de turnos ou maior uso de horas extras, reduzindo parte dos benefícios esperados.

Ao discutir uma transição abrupta, Rocha Júnior aponta risco de postergação de contratações, revisão de estruturas de custos e ampliação de terceirização ou informalidade no curto prazo. Em cenários mais favoráveis, algumas companhias poderiam buscar ganhos de eficiência por reorganização interna.

Medidas de adaptação

Jornalista do tema sugere que jornadas reduzidas podem trazer benefícios futuros, como menos fadiga, menor absenteísmo e menor rotatividade, embora esses ganhos tardem a aparecer em negócios menos digitalizados.

Para mitigar impactos, o advogado recomenda implementação gradual, negociação setorial, flexibilização de modelos de jornada, uso de banco de horas e políticas de apoio econômico, incluindo incentivos fiscais temporários e linhas de crédito.

Desenho da política pública

A avaliação de Rocha Júnior é de que os efeitos dependem mais do desenho da proposta, do ritmo de implementação e da disponibilidade de instrumentos de apoio às empresas durante a transição do que da própria ideia de reduzir jornadas.

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