- Governo mira eleição com medidas de renegociação de dívidas, mas especialista afirma que isso não resolve o endividamento das famílias.
- Quatro problemas apontados: custo fiscal, impacto negativo no crescimento a médio e longo prazo, ineficácia comprovada e pressão sobre a política monetária.
- Créditos a cadastro único, microempresas e microempreendedores individuais são citados como exemplos que estimulam o endividamento.
- Brasil enfrenta ciclo vicioso com desequilíbrio fiscal, baixa produtividade e má alocação de recursos em políticas sociais, com mais de R$ 400 bilhões gastos.
- Sugestões de Mendes incluem ajuste fiscal, aumento de produtividade, redesenho de programas sociais, abertura econômica e regulação/transparência; o governo deve priorizar educação financeira e regulação de empréstimos abusivos, não renegociação direta de dívidas.
O governo enfrenta críticas sobre políticas de renegociação de dívidas, defendidas como medidas para facilitar o endividamento, segundo o pesquisador Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper. Em entrevista à CNN Money, ele afirma que tais medidas podem ter efeito apenas eleitoral e impactos negativos no endividamento das famílias.
Mendes aponta um ciclo vicioso no Brasil: desequilíbrio fiscal, baixa produtividade e mau uso de recursos em políticas sociais. Ele cita que o gasto público em ações sociais supera 400 bilhões de reais, o que, segundo ele, poderia reduzir a pobreza se as políticas fossem melhor desenhadas.
Papel do governo
O pesquisador sustenta que a renegociação direta de dívidas não deve figurar como política pública. O efeito seria ensinar que a renegociação funciona como solução recorrente, incentivando novos endividamentos quando a economia aperta. O foco, segundo ele, deve ser educação financeira, regulação de empréstimos abusivos e cooperação com bancos para maior transparência.
Para romper o ciclo, Mendes recomenda reformas que incluam ajuste fiscal, aumento de produtividade e redesenho de programas sociais. Ele argumenta que estimular a competição, abrir a economia e desobstruir o crédito são caminhos importantes para ajustar o cenário de endividamento.
Caminhos de resposta
Segundo o pesquisador, o governo pode atuar onde há ganho real de implementação, diferenciando ações regulatórias de medidas de apoio ao crédito. Ele ressalta que o mercado já negocia dívidas, cabendo ao estado promover regras claras e maior transparência para evitar incentivos inadequados.
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