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Inovação não é ideia, é gestão

Brasil gera patentes, mas não converte invenção em valor econômico; gestão falha em levar conhecimento ao mercado

Inovação — Foto: Getty Images
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  • Brasil levou mais de vinte e cinco mil patentes de invenção em dois mil e vinte e três, sendo quarenta por cento de origem nacional; entre as nacionais, a maioria vem de universidades e instituições de pesquisa, mas 80,4% são de origem estrangeira.
  • Em dois mil e vinte e quatro, trinta e sete dos cinquenta maiores depositantes eram acadêmicos, contra apenas onze empresas, mostrando capacidade de geração de conhecimento, mas dificuldade de levá-lo ao mercado.
  • A maioria das patentes não se transforma em produto, serviço ou processo com impacto econômico; permanecem protegidas, porém economicamente inertes.
  • Invenção é criar algo novo; inovação é impor essa criação à prática para gerar valor, receita ou vantagem competitiva, conforme definição associada a Joseph Schumpeter.
  • A saída está em melhorar a gestão da inovação: ligar inovação à estratégia, promover maior integração entre empresas e universidades, desenvolver lideranças e métricas de desempenho que unam resultado financeiro e aprendizado, e usar IA para acelerar aplicação.

O Brasil registrou mais de 25 mil patentes de invenção em 2023. A leitura inicial é de dinamismo, mas o panorama indica fragilidade na passagem da invenção ao valor econômico. A maioria das patentes é de origem estrangeira, segundo relatório do Observatório de Inovação e Empreendedorismo do Insper.

Entre as nacionais, universidades e institutos de pesquisa são as maiores produtoras. Em 2024, 37 dos 50 maiores depositantes eram acadêmicos, frente a 11 empresas. A conclusão é de que o país gera conhecimento, mas tem dificuldade para comercializar.

Essa assimetria é explorada pela imprensa especializada, que aponta o desalinhamento entre produção de conhecimento e transformação em negócios. Invenção é criação; inovação é aplicação com impacto econômico mensurável.

Invenção versus inovação

Invenção envolve criação técnica, protótipo ou patente. Inovação aparece quando essa criação é inserida na prática e gera resultados, como receita, eficiência ou vantagem competitiva. Sem impacto econômico, não há inovação.

Aplicando a ideia de Schumpeter, a inovação requer novas combinações na economia real. Produtos, processos, mercados, insumos ou formas de organização entram nesse eixo. Inovação é fenômeno econômico e organizacional, não apenas tecnológico.

Desafios estruturais no Brasil

O problema não é apenas a geração de conhecimento, mas a sua efetiva transformação em valor. O sistema atual não integra universidades, pesquisa e mercado, o que gera desperdício de conhecimento e subutilização de talentos.

Os modelos de gestão tradicionais tratam a inovação como iniciativa paralela. Ideias surgem fora do fluxo principal e precisam (ou não) de adesão à operação cotidiana, o que evita impactos reais.

Caminhos para a mudança

Sugere-se colocar a inovação no centro da estratégia, com conexão às prioridades do negócio. Ampliar a colaboração com universidades e startups, desenvolver lideranças com visão sistêmica e liberar tempo para experimentação disciplinada.

Também é citada a necessidade de métricas que integrem desempenho financeiro e aprendizado, além de usar IA para acelerar a aplicação, não apenas a criação. A ideia central é qualificar o sistema de gestão da inovação.

Conclusão implícita

A lacuna é de gestão da inovação, não de criatividade. Sem transformar conhecimento em aplicações concretas, o Brasil manterá produção intelectual que não gera vantagem competitiva. A mudança depende de abordagem integrada e decisões estratégicas.

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