- A polícia sul-coreana pediu à Promotoria que peça mandado de prisão contra Bang Si-hyuk por acusações de trading fraudulento, envolvendo uma lista pública da Hybe em 2019 que, segundo a acusação, ele teria preparado “secretamente” enquanto afirmava não haver chances de listagem.
- A Hybe estreou na Kospi em outubro de 2020; a polícia afirma que Bang ficou com cerca de 200 bilhões de won em ganhos ilícitos decorrentes da operação.
- Bang nega as acusações; já houve mandados de busca na sede da Hybe, congelamento de ativos e pressão para que ele deixe a presidência da empresa; ele está proibido de viajar desde agosto.
- A BTS voltou a fazer turnê mundial, com expectativa de superar um bilhão de dólares em receita; as ações da Hybe atingiram recorde de quatro anos após o anúncio da turnê.
- Em nível legal, a lei sul-coreana prevê penas que vão de cinco anos até prisão perpétua para ganhos ilícitos acima de cinco bilhões de won; o país intensifica combate à manipulação de ações.
K-pop magnata Bang Si-hyuk, criador do grupo BTS, poderá ser preso por trading fraudulento antes de sua empresa Hybe chegar ao mercado. A polícia sul-coreana pediu aos fiscais que requeressem mandado de prisão, com base em acusações de ter enganado investidores em 2019 ao ocultar planos de listagem pública.
Segundo as autoridades, Bang teria recebido cerca de 200 bilhões de won com a operação, após ter apresentado parecer de que a IPO da Hybe era improvável, ao mesmo tempo em que preparava a oferta. A Hybe estreou na Kospi em outubro de 2020.
A investigação, já longa, levou a diligências na sede da Hybe, congelamento de ativos do empresário e pedidos para que ele deixe a presidência da companhia. Bang nega as acusações e está proibido de viajar desde agosto.
A acusação surge pouco após BTS reiniciar a turnê mundial, com datas anunciadas em 34 cidades globais. Analistas estimam receita de mais de US$ 1 bilhão com a tour, que viu a Hybe subir valores de mercado após o anúncio.
Em janeiro, as ações da Hybe atingiram recordes, impulsionadas pela divulgação da turnê. Bang afirmou, em entrevista, que BTS se tornou uma espécie de atração turística global, reconhecida pelo público mundial.
Lei sul-coreana pune ganhos ilícitos acima de 5 bilhões de won com penas que vão de cinco anos de prisão à prisão perpétua, dependendo do montante. A Hybe nega irregularidades e afirma ter colaborado com as autoridades.
Contexto técnico e histórico
Bang começou na música ainda jovem, participou de uma banda escolar e cofundou a JYP Entertainment em 1997. Em 2005, deixou a JYP para criar a Big Hit Entertainment, hoje Hybe, responsável por BTS.
BTS foi idealizado como grupo de K-pop com modelo de negócios específico, levando a Hybe a alcançar sucesso global e transformar Bang em figura-chave da indústria. Em 2020, as ações da Hybe subiram após a IPO.
A investigação sobre possível uso de acordos de participação em fundos de private equity antes da entrada da Hybe no mercado aponta para suposta parte dos lucros obtida com negócios não divulgados. Hybe afirma ter fornecido informações relevantes aos underwriters para avaliação de divulgação.
Bang e a Hybe mantêm que as ações foram conduzidas de maneira regular e que não houve manobra para enganar investidores. Nesta semana, os advogados do empresário manifestaram pesar pela solicitação de mandado de prisão e disseram que vão cooperar com o processo.
A repressão a operações de manipulação de ações na Coreia do Sul tem ganhado intensidade. Novo comitê regulador foi criado para investigar irregularidades, com política de “um golpe e está fora” para contas envolvidas.
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