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Rotas marinhas de migração podem ajudar a salvar aves marinhas em declínio

Seis rotas marinhas de aves migratórias ganham reconhecimento formal pela Convenção sobre Espécies Migratórias, mobilizando cooperação para proteger 151 espécies e 1.300 áreas prioritárias

Antipodean albatross (Diomedea antipodensis antipodensis) offshore from Dunedin, Otago, New Zealand. Photo by Oscar Thomas (CC BY-SA 4.0)
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  • A Convenção sobre Migración de Especies Marítimas reconheceu formalmente seis flyways marinhos, com base em estudo publicado na Journal of Applied Ecology, apoiado por dados de rastreamento de aves marinhas.
  • Cerca de 151 espécies utilizam essas rotas, que conectam 1.300 áreas-chave de biodiversidade, destacando proteção de áreas importantes e redução do bycatch.
  • As rotas funcionam como estrutura para cooperação entre 54 países ao redor das bacias oceânicas, exigindo ação coordenada entre reprodução e vida marinha.
  • O reconhecimento pode se alinhar a acordos como o Tratado dos Oceanos Profundos (BBNJ) e o Acordo de Kunming-Montreal, com ênfase em gestão por regiões e conectividade.
  • Principais desafios incluem vontade política, implementação e conformidade em medidas de bycatch; passos futuros incluem cúpula global, identificação de novas áreas-chave e ações práticas de conservação.

Partes interessadas em cooperação internacional anunciaram que seis rotas marinhas de migração de aves foram formalmente reconhecidas pela Convenção sobre Migratory Species (CMS), a pedido de cientistas. A identificação foi publicada com base em dados de rastreamento de aves marinhas e analisada em estudo na Journal of Applied Ecology, da British Ecological Society. O anúncio reforça o potencial de ações coordenadas entre países para conservar espécies que enfrentam declínio.

Segundo a pesquisadora Tammy Davies, coordenadora de Ciências Marinhas da BirdLife International e coautora do estudo, as rotas permitem comunicação clara sobre as jornadas das aves e facilitam a atuação conjunta entre múltiplos setores e nações. A lista envolve 151 espécies que dependem dessas rotas e conectam 1.300 áreas-chave de biodiversidade utilizadas pelas aves regularmente. A proteção envolve redução de capturas acidentais em pesca e salvaguarda de áreas críticas ao longo das rotas.

A pesquisa utiliza dados de rastreamento de seabirds hospedados em um banco de dados mantido pela BirdLife, que agrega informações de pesquisadores de várias regiões. O objetivo é demonstrar como a proteção dessas áreas pode ser estruturada ao longo de todo o ciclo de vida das aves, não apenas no breeding on land, mas também quando estão no mar. O reconhecimento formal pelo CMS cria um mandato para que os signatários implementem ações concretas dentro de cada bacia oceânica.

Implicações e objetivos políticos

As rotas servem como quadro para mobilizar partes interessadas e definir prioridades locais, como identificação de áreas protegidas, lacunas de pesquisa e ações de mitigação de ameaças. Em casos de rotas existentes, esse modelo já mostrou resultados positivos em outras espécies migratórias quando implantado a longo prazo, enfatiza Davies.

O estudo aponta cerca de 1.300 Áreas-chave de biodiversidade (AKBs) associadas às rotas, abrangendo áreas de reprodução e zonas de forrageamento no mar. A identificação dessas áreas orienta decisões sobre proteção direta, áreas marinhas protegidas ou mitigação de ameaças específicas. A cooperação entre países é essencial, já que as rotas cruzam a jurisdição de aproximadamente 54 nações.

Conexões com acordos e próximos passos

A formalização no CMS coloca as rotas em jogo como parte de um programa de trabalho com potencial de sinergia com instrumentos internacionais, como acordos sobre biodiversidade e gestão de áreas além da jurisdição nacional (BBNJ). A governança busca conectividade entre áreas protegidas e demais medidas de gestão espacial, promovendo ações coordenadas entre países.

Desafios permanecem, incluindo questões políticas e de vontade institucional. A necessidade de campeões nacionais para liderar a implementação é indicada pela pesquisadora, destacando que o oceanos seguem como tema de menor giro político em muitos ambientes governamentais, ainda que fundamentem a alimentação global e o clima.

Perspectivas e próximos passos práticos

Frentes de atuação incluem ampliar ações políticas, promover cooperação entre organizações BirdLife ao redor do mundo e identificar novas AKBs, inclusive na alta mar, com rastreamento de seabirds. A equipe planeja analisar riscos de bycatch, mapear frotas envolvidas e expandir a adesão de países signatários do CMS a fim de consolidar a estrutura das flyways.

A pesquisadora enfatiza que a importância das rotas não está apenas na documentação científica, mas na capacidade de mobilizar esforços conjuntos para proteger as jornadas migratórias. O próximo ciclo de ações deve incluir summits globais, parcerias com redes nacionais e avanços em monitoramento eletrônico para maior transparência nas operações pesqueiras.

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