- A Clínica Brindaglia cresceu 566% no volume de atendimentos, passou a atender 200 clientes por mês e ocupa dois andares, mesmo sem recorrer a empréstimos.
- A gestão não acompanhou o crescimento: não havia CRM, indicadores monitorados nem pós-venda estruturado; a clínica dependia da presença da fundadora para funcionar.
- O problema principal foi a centralização na founder, sem gestora, sem processos documentados e sem clareza sobre o que a clínica vendia.
- Recomendações de Carla Sarni incluem entrevistar pelo menos 5 a 10 candidatos antes de fechar vaga e estabelecer prazos de reposição quando alguém sair.
- Um destaque é o “jaque”, colaborador que acumula tarefas sem dono definido, o que impede a implantação de processos eficientes.
A clínica Brindaglia, em Santo André, no ABC paulista, cresceu 566% no volume de atendimentos em onze anos, mas passou perto do colapso por falta de gestão. O cenário foi apresentado pela fundadora Bruna Brindaglia em mais um episódio do Choque de Gestão, da Exame. O caixa está azul, porém o modelo dependia da presença da fundadora.
O negócio começou com visitas a médicos e dentistas, passando por dias de botox em salas alugadas, até ocupar dois andares com equipe própria. Hoje atende cerca de 200 clientes por mês, frente a 30 no início, sem histórico de empréstimos.
Em entrevista, Bruna reconhece que não havia pós-venda estruturado, CRM ou indicadores. A clínica dependia quase que exclusivamente da presença da fundadora, com rotatividade de profissionais alta e ausência de clareza sobre o portfólio vendido.
O paradoxo do crescimento sem governança
Carla Sarni, CEO do Grupo Salus, apontou falhas como ausência de gestão autônoma e de processos documentados. Não havia gestão de pessoas nem um responsável claro por cada área, o que aumentava custos e retrabalho quando alguém saía. Bruna admite que a equipe costumava buscar a sua decisão.
Foi recomendado entrevistar entre cinco e dez candidatos por vaga e estabelecer prazos para reposição de funcionários. Segundo Sarni, a ausência de dono dos processos gera inércia e perdas de tempo em treinamentos pouco eficazes.
Lições para empreendedores
O episódio reforça que crescimento sem organização interna pode levar a ruptura no curto prazo. A prática de reuniões regulares, o monitoramento de quatro indicadores-chave e o uso de um CRM básico ajudam a transformar crescimento em resultados estáveis.
Bruna encerrou dizendo que o empreendedorismo exige evolução constante. Sarni enfatizou que ambição não é pecado, mas a preguiça agrava riscos. Crescer, segundo as habilidades discutidas, não é opcional, mas necessário para a sustentabilidade do negócio.
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