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Condomínio de luxo de 60 milhões por casa expõe dinheiro negro em Mônaco

Mónaco reforça regras contra lavagem de dinheiro; Mareterra, com imóveis de 60 milhões, sofre escrutínio e queda de demanda entre compradores ultrarricos

Vistas de Mónaco.
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  • O complexo Mareterra, em Mônaco, oferece 114 moradias frente ao mar com preço de venda superior a 60 milhões de euros cada uma, iniciando em mil novecentos e setenta e 2017 ainda em construção.
  • O projeto atraiu ultrarricos globais, mas enfrenta questionamentos sobre a elegibilidade de alguns compradores para ser residentes conforme o principado deseja.
  • Em junho de dois mil e vinte e quatro, Mônaco foi incluído na lista cinza do grupo de combate ao dinheiro sujo, levando o governo a endurecer regulações e reforçar a supervisão financeira.
  • O principado criou a Autorité Monégasque de Sécurité Financière e intensificou normas de “conheça o seu cliente”, com sanções a empresas que não investigaram adequadamente compradores, entre elas imobiliárias ligadas a Mareterra.
  • Há sinais de que as medidas impactam o interesse de alguns compradores ricos, com queda do apelo de Mônaco entre destinos de alta renda, enquanto Dubai e outros mercados ganham espaço no setor de luxo.

Mônaco chegou aos holofotes por um empreendimento de luxo, Mareterra, com imóveis de alto padrão que superam os 60 milhões de euros. O projeto ganhou notoriedade por envolver compradores potenciais com dificuldades em comprovar o perfil de residentes desejado pelo principado.

Os números do condomínio frente ao mar, com 114 unidades, refletem a atratividade de um mercado ultrarrisco. A expansão urbanística acontece a poucos minutos do casino histórico e do porto de iates, em meio a regras cada vez mais rigorosas de compliance.

Regulação e lista cinza

Em junho de 2024, Mônaco foi incluído na lista cinza do GAFI, órgão de vigilância financeira, o que intensificou a pressão para endurecer controles. O governo reorganizou o Ministério de Finanças e reforçou a fiscalização contra desvios de recursos.

O principado criou a Autorité Monégasque de Sécurité Financière para combater lavagem de dinheiro. Medidas incluem normas de conhecer seu cliente e denúncias de atividades suspeitas. Bancos e consultorias passaram a enfrentar sanções por falhas de fiscalização.

Mercado imobiliário e compradores

O filtro de compradores passou a ser mais rígido. Entre as partes envolvidas em Mareterra aparecem nomes de destaque, como investidores estrangeiros, com documentos que indicavam origem de patrimônio e legalidade de residência, além da exigência de entrevistas presenciais.

Relatórios internos indicam casos de compradores vinculados à Rússia que chegaram a planos bilionários, com várias villas negociadas por sociedades criadas para o negócio. Em seguida, alguns desses planos foram ajustados ou desfeitos por dificuldades de pagamento.

Perspectivas e impactos

As novas regras também atingem o apelo internacional do principado como destino de riqueza. Responsáveis pelo projeto afirmam que as operações respeitaram padrões de conformidade e sanções, com revisões criteriosas de origem de recursos e antecedentes dos compradores.

Analistas observam queda de atratividade para parte da clientela de ultra-ricos, agravada pela necessidade de abrir contas bancárias e cumprir residência mínima. Enquanto o mercado permanece caro, o potencial retorno é cada vez mais acompanhado de cautela regulatória.

O que vem pela frente

Ao mesmo tempo em que Mônaco busca sair da lista cinza, as autoridades reiteram o compromisso com combate ao dinheiro sujo e à evasão fiscal. O governo sinaliza continuidade de medidas de supervisão, incluindo ações contra empresas que não reportem atividades suspeitas.

O debate permanece entre manter o fluxo de investimentos de alto valor e reforçar a credibilidade internacional. Autoridades destacam que o objetivo é evitar símbolos de reputação abalada, mantendo o principado como referência de mercado imobiliário de luxo sem compromissos legais.

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