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Crime financeiro no Brasil migra de offshores para fundos de investimento

Mudança na ocultação de patrimônio: de offshores no exterior para estruturas no Brasil, expondo falhas fiscais e risco de lavagem de dinheiro

Imagem: Arte/UOL
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  • Um banqueiro brasileiro foi preso por crimes contra o sistema financeiro e ocultação de patrimônio obtido ilegalmente: Edemar Cid Ferreira, em 2006, no caso do Banco Santos, e Daniel Vorcaro, em 2025, relacionado ao Banco Master.
  • A forma de ocultar dinheiro mudou: saíram as offshores no exterior e entraram fundos de investimento e sociedades anônimas fechadas no Brasil, com estruturas complexas para esconder o patrimônio.
  • O escoamento de recursos via fundos e S.A.s fechadas envolve sigilo e dificuldade de identificar beneficiários finais, mesmo com o registro de cotistas e investidores.
  • A Receita Federal reconheceu falhas de fiscalização, especialmente na identificação de cotistas de fundos de investimento, levando à atualização de instrumentos de monitoramento a partir de 2025 após a Operação Carbono Oculto.
  • O Brasil passou a enfrentar lacunas entre fiscalização e sigilo, com relatos de uso de fundos fechados para diferimento de impostos e de offshores não declaradas, ainda que medidas recentes tenham aumentado a transparência.

O Brasil dá continuidade ao debate sobre ocultação de patrimônio no mercado financeiro. A prisão de um banqueiro brasileiro, acusado de crimes contra o sistema financeiro e ocultação de patrimônio, marca a transição de métodos usados entre 2006 e 2025. Em 2006, Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos, e em 2025, Daniel Vorcaro, do Banco Master, aparecem como exemplos de mudanças estruturais na prática.

A investigação aponta que, enquanto Edemar operava por meio de offshores para esconder recursos, Vorcaro utilizou uma rede complexa de empresas no Brasil, com S.As fechadas e fundos de investimento pouco transparentes. A Polícia Federal investiga ainda possíveis pagamentos ilícitos e ligações com o PCC, no âmbito da Operação Carbono Oculto.

O cerco às offshores

O relatório indica que a era de ouro das offshores terminou após vazamentos como Panama Papers (2016). Dados globais passaram a circular via CRS, eliminando grande parte do sigilo. A Receita Federal passou a exigir informações de beneficiários finais, mas houve lacunas que facilitaram ocultamento no passado.

Sigilo via fundos de investimento

No Brasil, fundos de investimento passaram a concentrar sigilo, com dados de cotistas muitas vezes omitidos. A Receita reconhece falhas na fiscalização entre 2021 e 2024, período em que a e-financeira não foi integralmente reportada por gestoras. Em 2024, a Reag administrava cerca de R$ 295 bilhões.

Sigilo via S.A.s fechadas

O Gafi aponta falhas graves na identificação de beneficiários finais de empresas, especialmente S.A.s fechadas, registradas em livros sigilosos. Brechas permitiam alterações de titularidade após 30 dias, dificultando o rastreio. Correção parcial ocorreu em 2025, com efeito pleno em 2027.

Sigilo via fintechs

O mercado de fintechs também contribuiu para o sigilo, com algumas operando sem envio de e-financeira. A situação mudou após a Carbono Oculto, com obrigatoriedade de envio de dados por todas as fintechs e o fim da conta bolsão.

Tributação e consentimento

Fundos fechados, usados por grandes fortunas, permitiram postergar impostos. Em 2024, muitos desses fundos continuaram com isenções, mantendo ocultação de patrimônio. O Brasil avança na tributação de instrumentos, mas o desafio de mapear a cadeia de investimentos persiste.

Contexto internacional e nacional

Dados globais mostram que, mesmo com o CRS, o Brasil enfrenta lacunas com offshores que operam sem transparência total. A combinação de estruturas no exterior e no Brasil compõe um mosaico complexo de proprietários e fluxos de recursos, ainda sob investigação.

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