- A expansão da exploração de petróleo na Guiana, com mais de 11 bilhões de barris descobertos desde 2015, está puxando novas frentes fósseis no Caribe.
- A região responde por menos de 1% das emissões globais, mas é muito vulnerável a furacões; o gás já representa 25,9% da geração elétrica regional, impulsionado por novas terminais e usinas.
- O Suriname surge como outra fronteira importante, com reservas estimadas de 2,4 bilhões de barris de petróleo e 12,5 trilhões de pés cúbicos de gás, com produção offshore prevista para 2028 e pelo menos dez novos poços entre 2025 e 2027.
- Vários países do Caribe seguem com projetos fósseis — República Dominicana, Panamá, Honduras e Jamaica entre eles — apresentando riscos à saúde, ao ambiente e à região, além de tensões associadas a novas obras de energia.
- Em contraste, há movimentos de transição: Belize mantém moratória completa à exploração de hidrocarbonetos no mar desde 2017 e Costa Rica estendeu moratória até 2050, com sinais de renováveis ganhando espaço na região.
A Guiana aumenta a aposta em petróleo e gás na região do Caribe, segundo estudo da Fossil Free Caribe. O relatório analisa o período entre 2021 e 2026 e aponta que, com mais de 11 bilhões de barris já descobertos offshore desde 2015, o foco regional se desloca para novas frentes fósseis.
O documento destaca que a Guiana se tornou centro do movimento, influenciando governos vizinhos. O Caribe, porém, responde por menos de 1% das emissões globais e é uma das zonas mais vulneráveis a furacões e eventos climáticos extremos.
Paralelamente, a região já registra avanços na geração a partir de fontes limpas: 67% da eletricidade na América Latina e Caribe deve vir de fontes limpas em 2025, enquanto o gás fóssil representa 25,9% da matriz energética regional.
A Guiana é tratada como epicentro do avanço, com Georgetown passando por processos de pressão econômica, ambiental e social. A queima de gases e pouca fiscalização colocam o país entre as maiores emissões por esse tipo de prática na região.
O estudo aponta que, apesar de o governo defender que a renda do petróleo financia serviços públicos, organizações locais dizem que o benefício não se traduz em melhoria distribuída, aumentando pobreza e desemprego em algumas comunidades.
O Suriname aparece como segunda frente central, com reservas estimadas em 2,4 bilhões de barris e 12,5 trilhões de pés cúbicos de gás. A produção offshore está prevista para iniciar em 2028, com pelo menos dez poços adicionais entre 2025 e 2027.
O relatório também destaca a Amazônia regional, mencionando crise de desmatamento e mineração ilegal na floresta, e impactos sobre povos indígenas como Saamaka e Wayana, em territórios afetados pela expansão de atividades fósseis.
Na República Dominicana, três projetos fósseis aparecem em foco: Manzanillo Gas & Power, com terminal de GNL e duas usinas de 420 MW; Punta Catalina, usina a carvão associada a riscos de mortes prematuras; e barcaças da Karpowership em Los Negros, Azua, com relatos de danos à saúde respiratória.
No Panamá, o governo é descrito buscando assessoria da Ecopetrol para iniciar exploração de hidrocarbonetos no Caribe, em contraste com compromissos de carbono negativo. A NDC 3.0 do país prevê eliminar o carvão até 2026 e alcançar emissões líquidas negativas até 2050.
Honduras é citado com exploração costeira há mais de 12 anos, contratos offshore com a CaribX, e planos de perfuração sem consulta prévia a povos indígenas, segundo o material. O documento também menciona um memorando com a Pemex para cooperação técnica.
A região sofre com impactos no Sismo Arrecifal Mesoamericano, recurso vital para a biodiversidade coralina, que abriga 90% da diversidade da área, segundo o estudo.
A Guatemala é citada como caso de fechamento de infraestrutura fóssil, com o Campo Xan já sem uso após o término do contrato, sem plano de desmantelamento, gerando riscos ambientais para comunidades locais.
A Venezuela também integra o mapeamento, com produção reduzida desde 2017 e infraestrutura deteriorada, reflexo de mudanças políticas e econômicas recentes.
A Jamaica surge como o caso mais recente de avaliação de recursos, com estimativas de até 7 bilhões de barris em águas nacionais. O governo aponta perdas econômicas causadas pelo furacão Melissa em 2025, estimadas entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões, com impactos adicionais estimados por instituições internacionais.
O estudo cita resistência e caminhos de transição, como Belize, que mantém moratória total desde 2017 para explorar hidrotérmicas no Caribe, com reformas que exigem referendo para qualquer reversão. Costa Rica também reforça moratória até 2050, mantendo vigilância social.
Outros territórios, como Aruba, Granada, México, Porto Rico, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Névis, aparecem com diferentes pressões por novos projetos fósseis ou por iniciativas renováveis, segundo o relatório.
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