- Mais de oitenta por cento das famílias estavam endividadas em março, com 29,6% com dívidas em atraso e 12,3% sem condição de pagar; quase um terço da renda era comprometido.
- Dívidas mais comuns: cartões de crédito (84,9%), crediários do varejo (16%) e empréstimos pessoais (12,6%).
- Serasa apontou quarenta e um milhões inadimplentes em fevereiro, equivalentes a cinquenta por cento da população adulta, com dívida média de aproximadamente R$ 6.598,13 por pessoa.
- Fatores do endividamento: expansão do crédito desde a pandemia, juros elevados e o crescimento de apostas virtuais (*bets*); o juro médio do rotativo do cartão era de 435,9% ao ano em fevereiro.
- Governo analisa medidas para reduzir o endividamento, incluindo a segunda versão do Desenrola e possível liberação de até R$ 7 bilhões do FGTS; há relatos de pessoas impactadas e debate sobre restrições às apostas.
Em 2026, o Brasil enfrenta endividamento recorde. Dados indicam que mais de 80% das famílias estavam endividadas em março, com quase 82 milhões de pessoas inadimplentes, segundo a Peic da CNC. A situação preocupa o governo em ano eleitoral.
A Serasa aponta 81,7 milhões de inadimplentes em fevereiro, com dívida média de R$ 6.598,13 por pessoa. O juro do rotativo do cartão de crédito chegou a 435,9% ao ano, segundo o BC. Taxas elevadas ampliam o peso financeiro das famílias.
Contexto: endividamento e crédito
Especialistas destacam três fatores: expansão de crédito desde a pandemia, juros elevados e a popularização das apostas online, ou bets. A combinação eleva o custo da dívida e dificulta o equilíbrio orçamentário familiar.
Levantamentos indicam que parcelas e crédito rotativo comprimem a renda. Pesquisa Datafolha de 18 de abril revela que 27% usam o crédito rotativo com frequência, e 67% afirmam ter dívidas.
Impactos financeiros e sociais
Relatos de especialistas descrevem a “alienação do futuro” quando parcelas dominam o orçamento. O comportamento de parcelar compras, de imóveis a itens do dia a dia, torna a inadimplência uma realidade mais comum.
Nascida na Bahia, Nicole, 21 anos, descreve como o vício em bets devastou a vida financeira e pessoal. Ela afirma que o nome fica sujo em cinco bancos por dívidas associadas às apostas.
Viés regional e efeitos na saúde
Psicólogos destacam impactos na saúde mental de famílias endividadas. Do ponto de vista econômico, a redução de renda e a impossibilidade de pagar dívidas agravam tensões familiares.
Kauê Lopes dos Santos, pesquisador da Unicamp, aponta que o uso de crédito para consumo se tornou parte do orçamento de baixa renda, elevando a vulnerabilidade quando surges de gastos não previstos ocorrem.
Medidas governamentais em estudo
O governo planeja relançar o programa Desenrola com foco em renegociação de dívidas. Uma proposta envolve liberar recursos do FGTS para quitar débitos, estimando até 7 bilhões de reais.
Outra linha avaliada é conter o uso excessivo de bets, com a intenção de reduzir o endividamento. O ministro da Fazenda sinaliza que o programa pode incluir pessoas físicas e empresas.
Perspectivas e percepções
Relatos de desempenho econômico divergem entre entrevistados: alguns veem ações públicas como úteis, outros destacam falhas de comunicação. A falta de conhecimento sobre as medidas é comum entre diferentes perfis sociais.
Pesquisas indicam que a adesão às apostas cresceu nos últimos anos, com 29% dos brasileiros relatando prática de bets. O debate público gira em torno de regulação e proteção ao consumidor.
Conclusão provisória
As informações disponíveis apontam para um desafio estrutural: endividamento elevado, juros altos e expansão de apostas afetam famílias de diversas regiões. O governo avalia caminhos para aliviar o peso das dívidas sem rupturas no mercado.
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