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Geopolítica dos fertilizantes reduz vulnerabilidade do agro brasileiro

Geopolítica dos fertilizantes aumenta a vulnerabilidade do agronegócio; eficiência e agricultura de precisão podem reduzir uso sem comprometer produtividade

Problemas no Estreito de Ormuz nos lembram que o comércio mundial depende de um número reduzido de gargalos geográficos. Crédito: edição: Ariel Liborio
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  • O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome, o que expõe o agronegócio a choques geopolíticos e eleva custos.
  • Em 2025, o país registrou recorde de quarenta e cinco milhões e meio de toneladas de fertilizantes importados.
  • O Plano Nacional de Fertilizantes tem diretrizes, mas a implementação é lenta e a execução permanece insuficiente diante de um ambiente internacional cada vez mais instável.
  • Diversificar fornecedores, ampliar acordos com Marrocos e Canadá e firmar contratos de longo prazo são ações propostas;, além de aumentar a produção doméstica de fertilizantes, especialmente nitrogenados.
  • Eficiência no uso pode reduzir o consumo sem perder produtividade, com agricultura de precisão, manejo sítio-específico e bioinsumos, trazendo ganhos entre dez e vinte por cento em algumas culturas.

A geopolítica dos fertilizantes volta a ocupar a pauta do agronegócio brasileiro. Tensões no Estreito de Ormuz ampliam a incerteza sobre insumos vitais, pois cerca de 20% do petróleo mundial abastece a produção de fertilizantes nitrogenados. O Brasil depende fortemente de importações e sofre com choques externos.

Dados recentes indicam que o país importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, recorde histórico. A vulnerabilidade é reconhecida, mas a resposta tem sido considerada insuficiente, com o Plano Nacional de Fertilizantes ainda em implementação lenta.

A dependência externa não é apenas econômica, é estratégica. A diversificação de fornecedores passa por ampliar acordos com Marrocos e Canadá e estruturar contratos de longo prazo para garantir fornecimento estável, reduzindo riscos de paralisações.

Vulnerabilidade e limitações da oferta

A concentração de fornecedores no Golfo, Rússia, Bielorrússia e China eleva a exposição a conflitos, sanções e restrições comerciais. O Brasil precisa ampliar bases de suprimento para mitigar impactos em custos e disponibilidade.

Paralelamente, a produção nacional de fertilizantes, especialmente nitrogenados à base de gás natural, é vista como prioridade. A retomada de plantas e a construção de novas unidades aparecem como resposta estrutural à dependência externa.

Atrasos na obra da UFNa III, no Mato Grosso do Sul, apontam para o desalinhamento entre urgência e execução pública. A conclusão prevista para 2029 reforça a necessidade de acelerar projetos de produção local.

Caminhos de curto prazo para reduzir a dependência

Há potencial imediato em aumentar a eficiência do uso de fertilizantes. Agricultura de precisão, manejo sítio-específico e uso de dados permitem manter produtividade com menor consumo.

A implementação de práticas de precisão, aliada a bioinsumos e fixação biológica de nitrogênio, já tem mostrado ganhos em várias culturas. Em alguns casos, reduções de 10% a 20% do uso podem ocorrer sem perda de rendimento.

Essas estratégias representam uma mudança estrutural que alia economia e sustentabilidade. O avanço depende de investimentos em tecnologia, treinamento e governança para expandir a adoção em nível nacional.

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