- Agências de classificação de risco dizem que a inflação e as altas taxas de juros estão corroendo a capacidade de pagamento das famílias, elevando o endividamento, segundo a CNN Money.
- Moody’s e Fitch Ratings alertam que o endividamento pode afetar o crédito do país a longo prazo se empréstimos não produtivos persistirem, apesar de não verem risco imediato à economia.
- O Brasil segue com juros altos: a taxa básica Selic está em 14,75% ao ano, mesmo após corte de 0,25 ponto percentual.
- Mesmo com o aperto monetário, há recordes de saques por pessoas físicas em dezembro de 2025 e alta proporção de renda comprometida com dívidas em janeiro.
- Medidas do governo, como a possível liberação do FGTS para pagar dívidas via nova versão do Desenrola, são vistas como paliativas frente a um desafio estrutural de juros e educação financeira.
As agências de risco avaliam que a inflação e os juros elevados estão corroendo o orçamento das famílias brasileiras. Segundo elas, o endividamento crescente pode, a longo prazo, afetar a avaliação de crédito do país se não houver controle sobre a expansão de crédito não produtivo.
A Moody’s destaca que a capacidade de pagamento das famílias fica comprometida, principalmente para quem tem dívidas com garantia variável ou sem garantia. Mesmo com um mercado de trabalho considerado robusto, o custo da dívida pressiona o consumo e o crescimento.
As avaliações destacam que, no atual contexto, o endividamento não representa uma ameaça imediata à economia. Contudo, se continuar a aumentar, pode elevar riscos ao sistema financeiro e à estabilidade macroeconômica, sinalizam as agências.
Juros altos e perfil do crédito
A taxa Selic estava no patamar mais alto em vinte anos até a metade de março, mantendo-se em 14,75% ao ano mesmo após o corte recente de 0,25 ponto. A política monetária permanece restritiva e mantém custos de crédito elevados.
Dados do Banco Central indicam recorde de saques por pessoas físicas em dezembro de 2025, mesmo com juros altos. Também houve registro do maior nível histórico de comprometimento de renda com dívidas em janeiro, segundo as fontes.
Especialistas apontam que a desalavancagem das famílias tende a piorar com juros elevados, o que eleva o custo dos empréstimos. A taxa de juros alta, segundo a Fitch Ratings, não é novidade, mas afeta de modo mais intenso o consumidor.
Estrutura financeira e educação
Especialistas destacam que o Brasil tem juros estruturalmente altos por características do SFN, como dívidas com taxas flutuantes e crédito segmentado, exigindo mudanças significativas para reduzir custos de empréstimo.
O economista da Austin Rating aponta ainda que o baixo letramento financeiro amplia o risco de endividamento. O crédito consignado, por exemplo, pode aumentar a propensão a inadimplência sem regras claras.
Medidas do governo e impactos
O governo tem indicado usar o FGTS para abater dívidas em uma nova versão do Desenrola, como resposta ao endividamento. A medida é vista como paliativa diante do desafio estrutural.
Especialistas avaliam que o efeito é temporário e que a redução real virá com queda sustentável das taxas de juros, beneficiando famílias e empresas no médio prazo. A educação financeira também é ressaltada como necessidade.
Analistas ressaltam que, mesmo com ações pontuais, o quadro fiscal continua como ponto crítico. A recomendação é alinhar políticas de crédito com metas de responsabilidade fiscal para reduzir o custo do dinheiro no longo prazo.
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