- Mais de oitenta por cento das famílias estavam endividadas em março, com quarenta e nove por cento da população adulta inadimplente em fevereiro; 29,6% tinham dívidas em atraso e 12,3% não conseguiam pagar as contas.
- Dívidas principais: cartões de crédito (84,9%), crediários do varejo (16%) e empréstimos pessoais (12,6%).
- A dívida média por inadimplente era de cerca de R$ 6.598,13 em fevereiro, segundo a Serasa.
- Fatores explicativos: maior oferta de crédito, juros elevados e expansão de apostas virtuais (*bets*), que agravam o endividamento, especialmente entre quem já está endividado.
- Governo planeja relançar o programa Desenrola e avalia liberar até R$ 7 bilhões do FGTS para quitar dívidas; estudo apontou efeito temporário do programa anterior.
O Brasil enfrenta recordes de endividamento e inadimplência. Em março, mais de 80% das famílias tinham dívidas, segundo a Peic da CNC, e quase 82 milhões estavam inadimplentes, conforme a Serasa. O cenário mobiliza ações do governo em ano eleitoral.
As principais dívidas são de cartões de crédito, crediários e empréstimos pessoais. Especialistas apontam três fatores: maior oferta de crédito, juros elevados e a ampliação de apostas online, as chamadas bets, que aumentam o risco de endividamento entre famílias de diferentes perfis.
A situação é discutida em meio a políticas públicas. O governo avalia relançar o programa Desenrola para renegociação de dívidas, com estudo para liberar recursos do FGTS, possivelmente até 7 bilhões de reais, além de considerar medidas para reduzir o uso excessivo de apostas.
Dados e impactos
Cartões de crédito aparecem como a principal dívida, com elevada taxa de juros no rotativo. Consumidores relatam impacto direto na renda familiar e em áreas como saúde mental, educação e moradia, conforme casos apresentados pela imprensa.
Especialistas ressaltam que a bancarização cresceu durante a pandemia, ampliando o acesso a crédito, mas sem educação financeira adequada. A taxa básica de juros elevada e a inflação controlada colaboram para o aperto financeiro das famílias.
Bet e sociedade de crédito
Pesquisadores destacam que as bets potencializam o endividamento, pois pessoas já endividadas buscam crédito fácil para manter o jogo. O tema é debatido por economistas e pesquisadores que analisam o efeito dessas plataformas no orçamento doméstico e no orçamento futuro.
Cenários do interior brasileiro mostram casos de endividamento envolvendo vários empréstimos para manter apostas, com consequências recentes em relacionamentos familiares e na saúde mental.
Eleições e respostas governamentais
A percepção de endividamento afeta avaliações sobre a economia e o governo. Estudo recente aponta que edições do Desenrola reduziram a inadimplência de baixa renda, mas o efeito pode ser temporário, dissipando-se em meses.
O governo vê o Desenrola como parte de um conjunto de medidas, incluindo educação financeira, maior transparência de custos de crédito e maior competição no setor. A equipe econômica avalia impactos fiscais e de credibilidade.
Vozes e perspectivas
Relatos de consumidores indicam que o descontrole de gastos via crédito educa a população sem reduzir as vulnerabilidades estruturais. Profissionais ouvidos pela reportagem destacam a necessidade de políticas consistentes e de comunicação eficaz com a população.
Além do debate técnico, a sociedade acompanha o tema em meio a eleições, sem que haja uma posição única de voto entre os endividados. A mensagem central é a escassez de informação clara sobre medidas públicas em curso.
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