- O El Niño deve começar a se manifestar em maio, intensificar ao longo do ano e atingir o auge em outubro, com impactos esperados no regime de chuvas e temperaturas do Brasil.
- A combinação com a guerra no Oriente Médio eleva custos de fertilizantes e combustíveis, levando instituições a revisarem para cima as projeções de inflação para 2026 (exemplos: 4,9% pela SulAmerica Investimentos; 4,2% ao fim deste ano; 4,7% pelo IPCA segundo a 4intelligence).
- No campo, o Sul enfrenta excesso de chuva que aumenta o risco de perdas em arroz e trigo; Norte e Nordeste sofrem com irregularidade de chuvas no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
- A intensidade técnica do El Niño nem sempre determina os impactos regionais; mudanças climáticas globais atuam como amplificadores de danos e elevam o risco de eventos extremos.
- Há ameaça à logística: chuvas no Sul e temporais no Sudeste/Centro-Oeste podem comprometer cadeias de distribuição e pressionar ainda mais os preços de alimentos.
Além da guerra no Oriente Médio, o Brasil encara o impacto do El Niño para as safras e a inflação. Economistas já revisam para cima as projeções de custo de vida em 2026, com a combinação de fatores pesando sobre o agronegócio e os preços ao consumidor. O fenômeno climático deve se manifestar a partir de maio, ganhando intensidade ao longo do ano.
A Climatempo afirma que o El Niño tende a acelerar o início das chuvas, com intensidade moderada a forte esperada. A Nottus aponta o auge das chuvas para outubro, destacando que a variabilidade regional pode gerar impactos desiguais ao longo do território.
Intensidade do El Niño e efeitos regionais
A diferença entre a anomalia oceânica e a gravidade dos impactos é essencial. Em 2023/2024 o El Niño foi tecnicamente mais fraco do que em 2015, mas causou danos maiores. Mudanças climáticas atuam como amplificador, elevando o risco de eventos extremos independentemente da categoria técnica do fenômeno.
Mesmo com variações técnicas, especialistas ressaltam que impactos regionais podem ser severos. Ações climáticas globais ajudam a intensificar danos, especialmente em áreas com vulnerabilidade de solo e manejo agrícola.
Panorama para o agronegócio brasileiro
No Sul, o excesso de chuvas aumenta o risco de perdas na cultura do arroz e dificulta o controle de umidade. O trigo também enfrenta dificuldades com o excesso hídrico, prejudicando o desenvolvimento das lavouras. A ausência de frio adequado prejudica culturas de inverno, like a fruticultura, que depende de horas frias para qualidade de frutos.
No Norte e Nordeste, a irregularidade de chuvas no MATOPIBA preocupa o avanço de safras de grãos. A instabilidade climática pode afetar a produção regional e pressionar a oferta. Problemas logísticos surgem com danos rodoviários no Sul e riscos de tempestades no Sudeste e Centro-Oeste, agravando cadeias de distribuição.
Impactos sobre inflação e custo de vida
Economistas destacam que o clima eleva a incerteza sobre safras e preços de alimentos in natura. Relatórios de instituições financeiras apontam possível alta adicional na inflação de 2026, já sob efeito da guerra e de condições climáticas adversas. Projeções de inflação variam entre 4,2% e 4,9% para o fim de 2026, conforme fonte.
A combinação entre custo de combustíveis, insumos agrícolas e logística pode sustentar pressões inflacionárias. A resposta macroeconomia depende de monitoramento das safras, da evolução do conflito internacional e de políticas de responsabilidade fiscal e monetária.
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