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Alta dos fertilizantes deve atingir emergentes com severidade, diz consultoria

Alta global de fertilizantes deve atingir emergentes; inflação de alimentos impulsiona economia, Brasil fica temporariamente isolado do choque, aponta Capital Economics

Em economias em que a agricultura representa entre um quarto e um terço do PIB, qualquer redução na aplicação de nutrientes provoca reflexo direto na atividade econômica
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  • Alta nos fertilizantes deve impactar fortemente países emergentes de baixa renda, especialmente na África e no sul da Ásia, segundo a Capital Economics.
  • O efeito principal na economia global virá pela inflação de alimentos, com riscos para balanços de pagamentos e contas fiscais nessas regiões vulneráveis.
  • O preço da ureia subiu cerca de cinquenta por cento desde o início do conflito no Irã, atingindo o nitrogenado devido à maior necessidade energética e à logística do Estreito de Ormuz.
  • Aproximadamente quarenta e cinco por cento da alta nos fertilizantes deverá ser repassada aos consumidores, com inflação de alimentos a subir de forma gradual.
  • Em economias com agricultura representando entre um quarto e um terço do PIB, reduções na aplicação de nutrientes afetam a atividade econômica; Reino Unido deve ver inflação de alimentos acima de seis por cento no próximo ano, e EUA e zona do euro, cerca de quatro por cento. Países de baixa renda, como a Etiópia, podem enfrentar impactos diretos, e o Quênia enfrenta riscos de deterioração das contas externas devido ao aumento de importação de fertilizantes e custos de energia.

A alta dos preços dos fertilizantes deve afetar fortemente países emergentes de baixa renda, com destaque para África e o sul da Ásia. A avaliação é da Capital Economics, em relatório enviado a clientes nesta quinta-feira, 23. O efeito principal, segundo a consultoria, virá pela inflação de alimentos e pelos riscos a balanços de pagamentos nessas regiões vulneráveis.

A guerra no Irã elevou o custo dos fertilizantes nitrogenados, impulsionando o preço da ureia em cerca de 50% desde o início do conflito. O aumento reflete maior necessidade energética na produção, que usa gás natural, e a participação de aproximadamente 15% da oferta global de nitrogenados no Oriente Médio, com logística impactada pelo Estreito de Ormuz.

A projeção aponta repasse gradual da alta aos consumidores: estima-se que cerca de 45% do ganho de preço seja transferido ao consumidor final. Em economias onde a agricultura representa de 25% a 33% do PIB, queda na aplicação de nutrientes pode frear atividade econômica.

Impactos por região e renda

O relatório indica que inflação de alimentos pode superar 6% no Reino Unido no próximo ano, enquanto EUA e zona do euro devem registrar topos próximos de 4%. Países de baixa renda, como Etiópia, sofrem reflexos diretos na atividade econômica por menor uso de fertilizantes.

Países com contas externas mais sensíveis, como o Quênia, enfrentam agravamento nos gastos com energia e na importação de fertilizantes, aumentando a vulnerabilidade fiscal e externalidades inflacionárias. A Capital Economics reforça que os efeitos ocorrem via cadeias de produção e comércio.

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