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BB mira reerguer o agro com seguros rurais e consórcios

BB traça caminho para virar a página do agronegócio com crédito diversificado e fortalecimento do conglomerado, diante de provisões recordes e lucro em queda

Estrutura com mais de 80 empresas respondeu por mais da metade do resultado e ajudou a amortecer impacto da crise no agro (Foto: Christopher Dilts/Bloomberg)
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  • O BB apresentou queda de 45,4% no lucro anual de 2025, com o aumento das provisões elevando o custo do risco para 5,1% no ano, ante 2,5% em 2014.
  • O agronegócio foi o principal fator negativo, respondendo por 10 bilhões dos 18 bilhões em provisões do último trimestre de 2025 e cerca de um terço da carteira de crédito.
  • Em curto prazo, o banco revisou guidances para 2025, reformulou cobrança e garantias, passando a priorizar alienação fiduciária em vez de penhor e hipoteca, e projeta crescimento zero da carteira de agro em 2026 (variação entre -2,0% e +2,0%).
  • O conglomerado, com mais de oitenta empresas, ajudou a sustentar ROE de dois dígitos, com a BB Seguridade, BB Consórcios e BV entre os pilares; parcerias com UBS e BB Asset Management também aparecem como diferenciais.
  • Há planos de internacionalização, com atuação recente no Brasil (PIX na Argentina) e planos para os EUA, além de um programa de venture capital com mais de 51 startups e investimento superior a R$ 500 milhões; será criada uma diretoria para gestão das participações estratégicas do conglomerado.

O Banco do Brasil fechou 2025 com queda de 45,4% no lucro anual, pressionado pela ampliação de provisões de crédito. O segmento do agro, antes pilar da instituição, respondeu por parte relevante desses impairments, elevando o custo do crédito para 5,1% no ano.

O CFO Geovanne Tobias destacou que, apesar do desempenho desfavorável no crédito, o banco manteve ROE de dois dígitos. Segundo ele, o BB é um banco que vai além do financiamento da agricultura.

A crise no agronegócio foi determinante para os resultados, com R$ 10 bilhões das provisões do quarto trimestre de 2025 ligados ao setor. No total, as provisões acumuladas quase triplicaram frente à média histórica de 11 anos.

Fatores como conflitos geopolíticos, elevação da Selic, inflação de custos e severas intempéries climáticas no Rio Grande do Sul em 2024 contribuíram para a deterioração da carteira rural, segundo Tobias.

Como ajuste de curto prazo, o BB revisou a projeção para 2025 e reformulou a cobrança e as garantias, priorizando alienação fiduciária em detrimento de penhor e hipoteca. A meta para 2026 indica estabilidade da carteira agro.

Além do recuo no agro, o BB reforçou o foco em outras linhas de crédito e reduziu o apetite pelo setor. A projeção central para 2026 é de variação zero na carteira de agro, dentro de um intervalo de -2,0% a +2,0%.

Conglomerado como estratégia

A gestão aponta que o conglomerado é a base para manter rentabilidade diante dos desafios de crédito. Tobias afirmou que o grupo, com mais de 80 empresas, sustentou ROE elevado mesmo na crise.

As empresas do grupo contribuíram com 52% do resultado, segundo o CFO, destacando a atuação conjunta do BB no ecossistema financeiro.

Entre as companhias estão BB Seguridade, líder em seguros rurais com participação de 62%, BB Consórcios, que administra R$ 150 bilhões em carteira, e BV, grande financiador de veículos. A integração foi citada como diferencial estratégico.

O conglomerado também envolve parcerias no mercado de capitais, como a joint venture com o UBS, que já movimentou R$ 1 trilhão desde 2020, e a BB Asset Management, maior gestora do país, com R$ 1,8 trilhão sob gestão.

No setor de meios de pagamento, o BB concluiu o fechamento de capital da Cielo em 2024, junto ao Bradesco. A Elo, Alelo e Livelo completam o ecossistema de serviços financeiros.

O CFO mencionou ainda o avanço da internacionalização, com o PIX lançado na Argentina via Banco Patagônia em março de 2026 e planos de replicar a experiência nos EUA, onde o BB Américas mantém mais de US$ 3 bilhões em ativos.

O banco mantém investimentos no venture capital, com participação em 51 startups em fintechs, agrotechs, govtechs e finanças verdes, totalizando mais de R$ 500 milhões investidos.

A próxima etapa anunciada é a criação de uma diretoria estatutária dedicada às participações estratégicas do conglomerado, conforme o executivo.

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