- O BB sinalizou melhoria na adimplência de crédito de custeio do agro, após elevar garantias, mas segue monitorando o setor com cautela.
- O fluxo de vencimentos do agronegócio para 2026 soma 155,6 bilhões de reais, com 59,4% concentrados de abril a setembro; do total, 87,8 bilhões correspondem a custeio.
- Mais de oitenta por cento do custeio recebido hoje decorre de operações contratadas em abril, maio e junho do ano anterior; cerca de 20% do custeio tem vinculação de alienação fiduciária.
- Para a MP 1.314, os vencimentos somam 36,5 bilhões de reais, sendo 91,8% garantidos por imóvel e mais de 72% com alienação fiduciária; a carteira prorrogada tem 64,5 bilhões.
- No primeiro trimestre de 2026, o banco registrou 1,4 bilhão de reais em novos processos de recuperação judicial, com 162 registros.
O Banco do Brasil vê sinais de melhora na adimplência de operações de crédito de custeio do agronegócio no início de abril, após elevar garantias. Mesmo assim, o banco acompanha o setor com cautela, diante de recuperações judiciais em alta e dos efeitos da guerra no Irã.
Dados apresentados por executivos do BB a investidores no BB Day apontam que o fluxo de vencimentos do agro soma 155,6 bilhões de reais em 2026, com 59,4% concentrados entre abril e setembro. Do total de 2026, 87,8 bilhões referem-se a custeio.
Mais de 80% do que o BB recebe do custeio hoje vem de operações contratadas em abril, maio e junho do ano anterior, segundo o vice-presidente de agronegócios Gilson Bittencourt. Parte da carteira vencendo em abril ainda reflete contratos antigos.
No curto prazo, a carteira criada com base em alienações fiduciárias e melhoria de garantias, cerca de 20% do total de custeio, já apresenta melhora relevante na adimplência, segundo o BB. O banco monitora o comportamento das renegociações.
Estrutura de renegociação e impactos
O BB aponta fluxo de vencimentos da MP 1.314, que autoriza renegociações, em 36,5 bilhões de reais, com 91,8% garantidos por imóvel e 72% com alienação fiduciária. Já a carteira prorrogada totaliza 64,5 bilhões.
O diretor Geovanne Tobias ressalta que o regime de safra 2025/26 apresenta equilíbrio maior, reflexo de melhor originação, qualificação e garantias adicionais. Há expectativa de safras de crédito mais resolvidas.
O avanço nas renegociações é parte de uma tendência observada, mas o banco ainda avalia se o ritmo de recuperação terá formato em U ou W. A instituição também observa produtores que desejam deixar recuperações judiciais para retomar investimentos.
Perspectivas e gestão de risco
Na visão de Felipe Prince, vice-presidente de gestão de risco, o fluxo de vencimentos da safra 2025/26 tende a se manter estável, com saldo menor graças a melhores práticas de crédito. O BB monitora custos da próxima safra diante da guerra no Irã.
A presidente-executiva Tarciana Medeiros destacou que 2026 será de reestruturação e crescimento, com primeiro semestre ainda apertado. O foco estará na qualidade do crédito, não apenas no volume.
Ela também informou que o BB não foi procurado para tratar do BRB e não realizou avaliação de ativos da instituição, mantendo a posição de banco comercial.
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