- Evento Fórum Brasileiro de Aviação, nesta quinta-feira, reúne especialistas, governo e setor para debater temas estratégicos da aviação brasileira.
- Jerome Cadier, CEO da Latam Airlines Brasil, destacou regulamentação de passageiros indisciplinados, judicialização e reforma tributária como temas centrais.
- Cadier afirma que, globalmente, a indisciplina aérea é uma questão recente, mas a judicialização é majoritária no Brasil, com mais de 95% das ações da Justiça ocorrendo no país, mesmo com apenas 3% da aviação mundial.
- O executivo disse que o STF já abordou o tema e que busca reduzir o custo da judicialização no Brasil, mantendo responsabilidade das empresas por falhas operacionais.
- Sobre a reforma tributária, Cadier vê benefício geral, mas ressalta que, como está hoje, pode triplicar a carga de impostos sobre venda de passagens, impactando cerca de 25% no preço.
- Cadier destacou que o Brasil voa pouco, apesar de recordes de 2025, com espaço para crescer em voos domésticos e internacionais em relação a Chile, Colômbia e Europa.
O Fórum Brasileiro de Aviação, promovido pela Anac e pela IATA, ocorre nesta quinta-feira (23/4). O evento reúne especialistas, governo e representantes do setor para tratar de temas estratégicos da aviação civil no Brasil. O objetivo é debater caminhos para o setor diante de desafios atuais.
O CEO da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, destacou três temas centrais: regulamentação de passageiros indisciplinados, judicialização e reforma tributária. Segundo ele, a fiscalização de comportamento a bordo e nos aeroportos é uma tendência global desde o fim da pandemia, com aumento relevante de ocorrências.
Desafios da judicialização e impactos da reforma tributária
Cadier informou que a judicialização representa um eixo majoritário no país, com mais de 95% das ações do setor ocorrendo no Brasil, ainda que o país responda por apenas 3% da aviação mundial. A agenda envolve decisões que reduzam custos judiciais sem comprometer a segurança operacional.
Ele mencionou que o STF já tem sido acionado para endereçar a questão, e reforçou a necessidade de equilibrar responsabilidade das empresas com questões fora de controle. O objetivo é reduzir o peso da judicialização sobre o custo das operações.
Sobre a reforma tributária, o empresário diz ser positiva para o Brasil de modo geral, mas prejudicial ao setor aéreo se mantida a atual configuração. O recolhimento de impostos sobre a venda de passagens pode triplicar, elevando o preço final em até 25%.
Cadier também apontou que o Brasil ainda voa pouco em comparação internacional, apesar de recordes de 2025 tanto no tráfego doméstico quanto no internacional. O país tem espaço para crescer, mirando mercados como Chile e Colômbia.
Ele enfatizou que a aviação brasileira precisa de avanços, uma vez que o país registra menor volume de voos por habitante. No Chile, por exemplo, a percepção é de exportação de mais de o dobro da frequência de voos por pessoa, enquanto na Europa o patamar é ainda maior.
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