- A IA atua como assistente em RH, participando de reuniões, gerando insights e textos que ajudam nas decisões.
- Em grupo de RH no WhatsApp, a IA chamada Claude passou a identificar candidatos, sugerir políticas e montar planos de cargos e salários em segundos.
- No teste, fontes públicas de remuneração (como Glassdoor e LinkedIn Salary) não refletem o porte da empresa, são autodeclaradas e costumam não considerar toda a remuneração total.
- Ao construir tabelas salariais, a IA acertou a pontuação de cargos e a estrutura de níveis, mas errou referências de mercado ao apresentar valores.
- A lição é que IAs ajudam na análise de dados e em discussões de alto nível, mas não substituem especialistas humanos para veracidade e contexto.
A inteligência artificial já faz parte do cotidiano corporativo, atuando como assistente em reuniões, gerando insights e organizando conteúdos de RH. Em um cenário prático, uma IA demonstra capacidade de apontar candidatos, sugerir políticas e estruturar planos de cargos e salários, tudo em segundos e em praça pública.
Um grupo de WhatsApp dedicado a RH fez da IA a estrela da conversa. O personagem central é o assistente digital chamado Claude, apresentado como ferramenta que identifica candidatos, avalia dados, cria políticas e monta trilhas de aprendizagem. Perguntas rápidas são respondidas com prontidão, incluindo índices de turnover e KPIs.
Esse experimento, porém, coloca em evidência limitações. A ferramenta reconhece fontes públicas de remuneração, como artigos e plataformas, mas admite que não realiza buscas ativas em tempo real para fundamentar números. Em cargos executivos, as referências costumam ser imprecisas, com diferenças de porte empresarial e dados autodeclarados.
O teste prático da IA no RH
A pesquisadora testou a capacidade da IA de estimar remuneração, usando um business case complexo. A IA apontou a pontuação de cargos e estruturou níveis de carreira, com base em metodologias de pesagem de cargos, consideradas mais seguras para definir estratégias salariais.
A pesagem de cargos leva em conta diversidade, complexidade, abrangência, governança, estrutura de capital e resultados financeiros. Mesmo assim, a IA errou ao indicar referenciais de mercado, sugerindo valores inferiores aos usados pela pesquisadora.
Ao pedir fontes, a IA explicou que a estimativa foi baseada no conhecimento de treinamento, sem consulta em tempo real. Quando solicitada a consultar fontes disponíveis, afirmou não ter referências confiáveis para o contexto apresentado.
A lição do exercício é de cautela: IAs avançam, auxiliam na análise de dados e em debates de alto nível, mas não substituem a veracidade absoluta. Dados, índices e referências podem não corresponder à realidade, exigindo supervisão humana constante.
Fernanda Abilel, professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, assina o relato. Os artigos assinados representam a visão dos autores e não necessariamente a de Forbes Brasil e seus editores.
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