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Como países remuneram consumidores pela energia gerada com painéis solares

Experiências internacionais apontam transição de compensação integral para tarifas variáveis por hora, para energia excedente da MMGD, visando equilíbrio do sistema

MMGD solar: avanço da geração distribuída amplia debate sobre remuneração e custos do sistema.
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•Entre 2019 e 2025, a micro e a mini geração distribuída solar cresceu 8,6 vezes no Brasil, tornando-se a segunda maior fonte instalada no país.

•O sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) permite que consumidores gerem energia e tenham créditos pelos excedentes, abatidos do consumo em qualquer horário.

•Esse crescimento elevou subsídios setoriais estimados a cerca de R$ 16 bilhões e trouxe desafios operacionais, como necessidade de maior potência, flexibilidade e, em alguns momentos, curtailment de geração.

•Diversos mercados estão migrando de compensação integral para modelos que remuneram a energia exportada com base no valor real, ajustando-se à operação do sistema.

•Casos apresentados: Califórnia usa faturamento líquido por hora e local; Havaí evoluiu de net metering para tarifas dinâmicas; Nova York adota net billing com empilhamento de receitas; Austrália combina net-billing, two-way pricing e limites de exportação. O objetivo é usar tarifas horárias para energia consumida e injetada, com medidores inteligentes e inversores modernos.

Entre 2019 e 2025, a micro e a minigeração distribuída (MMGD) solar cresceram 8,6 vezes no Brasil, tornando-se a segunda maior fonte de capacidade instalada. O impulso veio do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), que permite a geração doméstica com créditos para excedentes. Esses créditos abat em qualquer horário.

O aumento acelerado gerou estimativas de subsídios setoriais na casa dos bilhões de reais e trouxe desafios operacionais ao sistema elétrico, exigindo maior flexibilidade para equilibrar geração ao longo do dia. Em alguns momentos, houve curtailment, ou desperdício de energia renovável.

Para entender o que ocorre fora do Brasil, pesquisadores comparam modelos de remuneração de energia excedente em mercados internacionais. O objetivo é alinhar incentivos aos padrões operacionais do sistema elétrico, com foco em valor real da geração distribuída.

Casos internacionais

A Califórnia migrou de uma compensação integral para o modelo de faturamento líquido, com valor da energia exportada variando por hora e local. Em vez de crédito fixo, a remuneração passa a refletir custos evitados pelo sistema.

Havaí foi precursor da transição ampla, entre 1996 e 2015, com mudanças rumo a tarifas dinâmicas de injeção e consumo. O desenho atual varia conforme horário, buscando equilibrar demanda e oferta ao longo do dia.

Nova York adotou o net billing com empilhamento de receitas, somando energia de mercado, capacidade, benefícios de rede e atributos ambientais. A compensação passa a combinar várias parcelas de valor.

Austrália não tem modelo nacional único. Distribuidoras aplicam net-billing, two-way pricing com variação horária e limites de exportação dinâmicos, conforme a capacidade de cada rede local.

Tendências comuns

Apesar das diferenças, a direção regulatória em países analisados aponta para tarifas variáveis ao longo do dia, tanto para consumo quanto para injeção na rede. A ideia é remunerar a geração excedente pelo valor real que agrega ao sistema em cada momento e local.

Essa evolução depende de tecnologias como medidores inteligentes e inversores modernos, que oferecem visibilidade e controle para operadoras. Esses instrumentos são vistos como fundamentais para a gestão segura das redes de distribuição.

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