- O consórcio húngaro Ganz Mavag Europe desistiu de manter o litígio no tribunal de arbitragem de Estocolmo contra o governo espanhol, iniciado em abril de 2025.
- A reclamação pedia mais de 100 milhões de euros em indenização pelos supostos vieses no veto à oferta pública de aquisição da Talgo.
- O veto espanhol ocorreu em agosto de 2024, sob o argumento de defesa da segurança nacional, envolvendo vínculos entre Ganz Mavag e o governo húngaro.
- A retirada do caso significa uma “vitória” para o governo espanhol, mas o processo continua no Tribunal Supremo.
- O desfecho ocorre em meio a mudanças políticas na Hungria após a derrota eleitoral de Viktor Orbán, que pode influenciar o cenário para futuros desdobramentos envolvendo Talgo.
O consórcio húngaro Ganz Mavag Europe retirou a reclamação contra o governo espanhol no tribunal de arbitragem de Estocolmo. A denúncia, apresentada em abril de 2025, questionava interferências na rejeição da oferta pública de aquisição (opa) sobre Talgo, anunciada em março de 2024.
A retirada encerra o litígio sobre suposta violação do Tratado sobre a Carta de Energia. O objetivo inicial era cobrir mais de 100 milhões de euros em danos. A decisão foi divulgada por meio de documentos enviados ao tribunal na terça-feira, segundo apuração deste veículo.
O caso envolve o consórcio Magyar Vagon e o fundo estatal Corvinus, que buscavam comprar Talgo por 619 milhões de euros por 100% das ações. O governo espanhol recusou a operação sob o argumento de segurança nacional, aplicando o regime antiopa.
A defesa, liderada pelo escritório Ahali, afirma que pode mover ações adicionais com base na mesma matéria fática e jurídica, mas a reclamação agora perde um dos seus pilares no contencioso com a Abogacía del Estado. O processo, contudo, permanece ativo no Tribunal Supremo.
A desistência coincide com a derrota eleitoral de Viktor Orbán, em 12 de abril, e com a aproximação de Péter Magyar na condução do governo húngaro. Embora a decisão tenha peso político, especialistas destacam que não altera o destino da oferta e dos interesses de Talgo.
A rejeição da opa ocorreu em agosto de 2024. A cobrança de Ganz Mavag sobre danos buscava compensação por prejuízos do impasse, que também envolveu dúvidas sobre vínculos do consórcio com o governo húngaro e com atores russos.
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