- Em março, a indústria de fundos imobiliários atingiu 3,1 milhões de investidores, o maior patamar da história, com entrada de cerca de 300 mil pessoas desde novembro.
- A liquidez também cresceu: o volume de negociações de cotas na bolsa somou R$ 11,4 bilhões em março, alta de 34% ante fevereiro e 80% frente ao mesmo mês do ano anterior.
- O principal gatilho foi a expectativa de cortes na Selic, que elevou o interesse de pessoas físicas por FIIs, que permitem participação em grandes propriedades por cotas e têm isenção de imposto de renda sobre dividendos.
- O mercado passa por transformação de participação: investidores institucionais locais subiram de 19,5% para 20,7%, estrangeiros permaneceram em 4,2%, e pessoas físicas recuaram de 75% para 74%.
- Em termos de volume, institucionais locais responderam por 31,6% das negociações, estrangeiros por 21,6% e pessoas físicas por 42,3%; o número de FIIs subiu de 418 para 434 no último ano.
O setor de fundos de investimento imobiliário (FIIs) brasileiro retomou o crescimento em 2026, impulsionado pela expectativa de cortes na Selic. Em março, o número de investidores chegou a 3,1 milhões, recorde histórico, segundo a B3. O avanço vem após um 2025 estável, quando o total ficou em aproximadamente 2,8 milhões.
Ao longo de 2026, o mercado acumulou entrada de cerca de 300 mil investidores desde novembro, sinalizando atratividade com o cenário de juros. A gerente de Produtos de Equities da B3, Bianca Maria, afirma que o ritmo atual pode levar o setor a 4 milhões de investidores até o fim do ano, caso se mantenha.
A liquidez também ganhou fôlego. Em março, a soma de negociações de cotas na bolsa atingiu 11,4 bilhões de reais, o maior volume mensal já registrado. O montante representa alta de 34% frente fevereiro e 80% superior a março do ano anterior.
O principal motor do desafio positivo é a perspectiva de cortes da taxa básica de juros. Bianca aponta que a redução da Selic tende a ampliar o apetite de pessoas físicas por FIIs e outros ativos de renda variável, com ganho de adesão a fundos que permitem participação em grandes propriedades comerciais via cotas.
Benefícios fiscais e a diversificação também atraem investidores. As cotas de FIIs oferecem isenção de imposto de renda sobre os dividendos, o que reforça o apelo entre o público investidor.
Transformação de participação
A composição do investidor vem mudando. A participação de institucionais locais subiu de 19,5% para 20,7% entre 2024 e 2026, enquanto a fatia de estrangeiros permaneceu estável em 4,2%. As pessoas físicas cresceram em termos nominais, mas recuaram de 75% para 74% de participação.
Na prática, isso se reflete no volume negociado. Institucionais locais passaram de 24,9% para 31,6% do total de cotas negociadas, enquanto estrangeiros subiram de 17,6% para 21,6%. As pessoas físicas caíram de 55% para 42,3%.
A gestora de mercado da B3 reforça que o interesse institucional e estrangeiro tem ganhado destaque. Enquanto o varejo tende a manter compras de longo prazo com foco em dividendos, os grandes investidores adotam estratégias mais complexas, como arbitragem, day trade e uso de derivativos.
Perspectivas e liderança de mercado
Mesmo diante de juros elevados, as captações no segmento se mantiveram resilientes. O número de FIIs listados cresceu de 418 para 434 ao longo de um ano. A fala da B3 indica que a expansão de clientes institucionais é um fator relevante para o volume de negócios, mesmo com maiores dificuldades de captação.
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