- O FMI diz que a guerra no Oriente Médio fará a inflação subir em toda a América Latina, mas o impacto varia conforme o país e depende da duração do conflito.
- Países produtores de petróleo da região devem se beneficiar dos altos preços da energia, fortalecendo balanços e finanças públicas.
- Mesmo assim, os mais vulneráveis podem ser afetados por elevações de preços, com os alimentos entre os itens a serem pressionados.
- O Brasil deve crescer 1,9% neste ano; a América Latina e o Caribe, 2,3%, com revisão positiva das projeções.
- O FMI recomenda manter redes de proteção social, evitar cortes em subsídios e buscar arrecadação de quem tem maior capacidade de pagamento, dadas as dívidas e o custo de financiamento.
O FMI alerta que a guerra no Oriente Médio tende a impactar a economia da América Latina de forma diferenciada, porém com inflação elevada em todos os países. O documento divulgado na sexta-feira aponta que mudanças nas condições financeiras globais, nos fluxos de capital e na volatilidade das commodities ajudam a explicar o quadro.
A instituição destaca que a duração do conflito e as disrupções associadas serão determinantes para o tamanho do efeito. Países produtores de petróleo devem sair em vantagem, enquanto exportadores de energia da região podem registrar ganhos em balanços de pagamentos e crescimento.
Nigel Chalk, diretor do departamento do Hemisfério Ocidental, afirma que Brasil, Argentina, Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela aparecem entre os produtores que se beneficiariam dos altos preços da energia. Mesmo assim, ele ressalta cautela: os mais pobres podem enfrentar pressões com o aumento de preços, especialmente de alimentos.
Mudanças por tema podem alterar trajetória econômica
Segundo o FMI, os choques de commodities fortalecem as contas externas de países dependentes de energia, sustentando o crescimento e as finanças públicas. No entanto, o impacto é desigual entre as nações da região, com vulnerabilidades já definidas.
O FMI aponta ainda que economias com déficits em conta corrente e dependência de financiamentos externos enfrentam custos de financiamento mais altos e menor acesso a mercados, diante da queda do apetite ao risco global.
Setores sensíveis e cenários para a região
O relatório ressalta que economias do Caribe, mais dependentes do turismo, podem sofrer com maiores déficits fiscais. Países com dívida elevada e dependência de importação de energia aparecem entre os mais expostos.
Apesar disso, o organismo aponta que iniciativas de ampliar participação de energia renovável podem oferecer algum alívio. A orientação para autoridades fiscais é evitar adiar aumentos de preços de alimentos e combustíveis.
Perspectivas regionais e ajustes fiscais
A previsão de crescimento global foi revisada pelo FMI, com o Brasil tendo alta de 1,9% neste ano, frente 1,6% anteriormente estimados. A América Latina e Caribe também eleva a projeção para 2,3%.
Chalk ressalta que investimentos em energia não representam a realidade de toda a região, e que economias do Caribe, dependentes do turismo, devem enfrentar maior pressão. Municípios com alta dependência de energia importada podem sentir impactos mais intensos.
O FMI enfatiza que avanços históricos, como a substituição de subsídios por redes de proteção social, precisam ser preservados. O foco deve estar no apoio a famílias vulneráveis, agricultores e setores econômicos mais atingidos.
No cenário interno, a instituição recomenda manter disciplina fiscal, reduzir gastos não essenciais e aumentar a arrecadação de segmentos com maior capacidade contributiva, preservando redes de proteção.
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