- O Master transferiu ao menos R$ 126,6 milhões para a empresa Midias Promotora LTDA, recebidos como pagamentos por prestação de serviços, segundo dados de transações do banco.
- Gilson Bahia Vasconcelos, sócio administrador da Midias Promotora, foi beneficiário de auxílio emergencial do governo durante a pandemia e é acusado de estelionato em processo envolvendo suposto esquema contra aposentados e pensionistas do INSS.
- Denúncias apontam que o esquema utilizava programa de computador chamado Vanguard para acessar dados de vítimas e, por meio de ligações de call center, obter fotos para reconhecimento facial e firmar empréstimos consignados, desviando dinheiro.
- Em 2024, Bahia Vasconcelos ficou quase um mês preso preventivamente no âmbito do golpe do call center; ele também é alvo de outras ações por fraudes com empréstimos consignados, não relacionadas diretamente à Midias Promotora.
- A defesa nega participação dele na firma envolvida no caso do call center; a reportagem não obteve resposta da assessoria do Master ou da empresa sobre os serviços prestados aos R$ 126 milhões.
O Master repassou ao menos R$ 126,6 milhões para uma empresa sem identificação clara no centro do Rio de Janeiro, apontada pela instituição bancária como prestação de serviços. O sócio-administrador da Midias Promotora LTDA, Gilson Bahia Vasconcelos, foi beneficiário de auxílio emergencial do governo durante a pandemia. A denúncia envolve suspeitas de estelionato em um esquema contra aposentados e pensionistas do INSS.
O montante fica acima de outros pagamentos de maior valor atribuídos pelo mesmo banco a escritórios ligados a outras pessoas citadas na investigação. Bahia Vasconcelos enfrenta ação por estelionato e participação em organização criminosa, conforme denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro.
Quem está envolvido
A Midias Promotora LTDA recebeu os pagamentos do Master. Bahia Vasconcelos é apontado como um dos líderes de suposto golpe ligado a empréstimos consignados obtidos com dados de aposentados. Ele também figura em ações envolvendo propostas de investimentos vinculadas a fraudes com crédito consignado.
O que se sabe sobre o caso
Segundo o Ministério Público, a organização criminosa usava um programa de coleta de dados chamado Vanguard para capturar vítimas. Em seguida, equipes de call center suspeitas contatavam as pessoas com promessas de cartões de desconto, exigindo presença para foto do cartão, que facilitava reconhecimento facial e a assinatura de empréstimos com desconto em folha.
Quando e onde ocorreu
O repasse ao Midias Promotora LTDA ocorreu entre 2022 e 2025, com destaque para 2024, ano em que houve o maior volume de pagamentos, somando cerca de R$ 96 milhões. O movimento financeiro foi registrado no Rio de Janeiro e envolve estruturas empresariais diversas.
Por que ocorre o repasse
As autoridades apontam que as transações tinham finalidade de prestação de serviços, mas a natureza exata desses serviços no caso do Master não foi detalhada pela reportagem. O banco não divulgou esclarecimentos nem sobre o compliance do Master nem sobre os serviços prestados pela Midias.
Reação das partes envolvidas
O advogado de Bahia Vasconcelos sustenta que ele não integra o quadro societário da empresa envolvida no golpe do call center e que a defesa já obteve liberdades e medidas cautelares. A defesa afirma que todas as movimentações da Midias são legais e devidamente registradas.
Contato com as partes
A reportagem tentou contato com as partes envolvidas para esclarecer os serviços prestados e a relação entre as empresas, mas não houve resposta até a atualização desta matéria. O Master não se pronunciou sobre os supostos problemas de compliance.
Considerações finais
Os documentos destacam que a Midias tem dívida ativa com a União e atua como correspondente de instituições financeiras. A investigação segue em andamento, com novas informações sendo apuradas pelas autoridades competentes.
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