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Petróleo na Foz do Amazonas custa R$ 47 bilhões a mais que renováveis

WWF-Brasil aponta custo de oportunidade de R$ 47 bilhões; petróleo na Foz do Amazonas gera perdas à sociedade frente investimentos em renováveis

A Foz do Amazonas, região de alta biodiversidade e lar de manguezais e corais únicos, é o epicentro de um dos debates mais sensíveis da política energética brasileira (Lucas Ninno/Getty Images)
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  • Estudo do WWF-Brasil aponta que explorar petróleo na Foz do Amazonas custaria ao Brasil R$ 47 bilhões a mais do que investir em renováveis.
  • A pesquisa usa 10 mil simulações para avaliar o retorno social, incluindo custos climáticos e sociais, mostrando perda de R$ 22,2 bilhões com o petróleo ante benefício de R$ 24,8 bilhões com energia renovável.
  • A diferença de quarenta e sete bilhões de reais é apresentada como custo de oportunidade entre as duas trajetórias.
  • A notícia contextualiza a operação da Petrobras na região, com perfurações no poço Morpho e três poços contingentes; houve vazamento de aproximadamente 18 mil litros em janeiro, levando a interrupção temporária e retomada em fevereiro com novas exigências.
  • O WWF-Brasil destaca que, além de impactos ambientais, a exploração pode atrasar a transição energética e ampliar riscos fiscais, especialmente diante de projeções da IEA de queda na demanda mundial por petróleo.

O estudo inédito desenvolvido pelo WWF-Brasil questiona a viabilidade econômica da exploração de petróleo na Foz do Amazonas ao confrontar, pela primeira vez, o retorno social da extração com os investimentos equivalentes em energia renovável e biocombustíveis. Com base em 10 mil simulações de cenários de preço e risco, a pesquisa aponta que o custo de oportunidade é de 47 bilhões de reais, quando se comparam os mesmos montantes de recurso aplicados em cada caminho energético. O resultado aponta que o setor fóssil não se sustenta se consideradas externalidades climáticas e sociais.

Segundo a metodologia adotada, ao incluir custos sociais não remunerados, o petróleo da região deixa de beneficiar a sociedade. A simulação regulou parâmetros para evidenciar impactos para o conjunto da população, não apenas para o investidor privado. Os números indicam perda média de 22,2 bilhões de reais para a sociedade caso o dinheiro seja empregado na extração, enquanto o investimento em renováveis gera ganho líquido de 24,8 bilhões.

A diferença entre as duas trajetórias é justamente o custo de oportunidade de 47 bilhões de reais, conforme o WWF-Brasil. O estudo também ressalta que, quando se levam em conta as consequências climáticas e sociais, os prejuízos podem ser bilionários, segundo Ricardo Fujii, especialista em conservação da organização.

Contexto da operação e marco regulatório

A operação na Foz do Amazonas chegou a receber autorização do Ibama para perfurar o poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em outubro de 2024, com a Petrobras iniciando os trabalhos logo em seguida para evitar custos diários de perfuração. Em janeiro de 2025, ocorreu uma interrupção após o vazamento de cerca de 18 mil litros de fluido no mar, o que gerou questionamentos sobre a segurança ambiental.

A retomada ocorreu em fevereiro de 2025, com novas condicionantes impostas pelo órgão ambiental. Em seguida, a Petrobras solicitou autorização para perfurar mais três poços contingentes ao Morpho: Manga, Crotalus e Extensão de Morpho. O estudo do WWF-Brasil questiona a lógica econômica dessa aposta diante de riscos ambientais e da necessidade de acelerar a transição energética.

Implicações climáticas e econômicas

A produção de petróleo na Foz do Amazonas contribuiria com 446 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, gerando danos climáticos estimados entre 21,1 bilhões e 42,2 bilhões de reais. Em comparação, a etapa de renováveis pode trazer ganhos de renda e empregos distribuídos pelo território, reduzindo impactos ambientais ao longo do ciclo de vida das fontes limpas.

O relatório observa que os defensores da exploração afirmam que o petróleo financiaria a transição energética, mas o WWF-Brasil aponta que a premissa nunca foi testada com dados robustos. Segundo o estudo, as rotas renováveis proporcionam benefícios mais amplos, com emissões significativamente menores e potencial de desenvolvimento regional.

Contexto político e cenário internacional

A discussão ocorre em um momento de pressão externa, com líderes reunidos em Berlim para o Diálogo de Petersberg, preparatório para a COP30. O Brasil, que liderou a COP30, enfrenta críticas ao manter uma fronteira petrolífera ativa enquanto anuncia metas de redução de dependência de combustíveis fósseis.

Enquanto mais de 80 países se preparam para a COP que discutirá o fim gradual dos fósseis e a aceleração da transição, o Brasil observa desafios globais, incluindo a instabilidade no cenário internacional e a necessidade de alinhar políticas internas com compromissos climáticos. A situação na Foz do Amazonas é alvo de escrutínio diante da urgência de acelerar investimentos em energias limpas.

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