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The Asset Class de Hettie O’Brien aponta que private equity chega a todos

O livro mostra como o private equity transforma serviços essenciais em ativos de lucro, provocando cortes, falhas regulatórias e impactos sociais

The London skyline from the Thames Barrier, London.
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  • O livro The Asset Class, de Hettie O’Brien, descreve como private equity compra ativos de serviços públicos — como água, energia, habitação, saúde, ferrovias — para buscar lucros elevados, muitas vezes às custas de qualidade e investimento.
  • A autora traça o crescimento do private equity após deregulamentações nas décadas de setenta e oitenta, destacando Blackstone, Qatar Investment Authority, Macquarie e KKR que usam dívida para reduzir exposição ao risco.
  • Exemplos em várias cidades mostram impactos diretos no dia a dia: cortes de custos, salários e investimentos; degradação de infraestrutura e serviços, incluindo tratamento de água, habitação, cuidados a idosos e saúde.
  • O texto aponta dois pilares do modelo: sigilo financeiro (offshore e operações complexas) e a conivência de governos com condições fiscais favoráveis, levando a uma reconfiguração do estado em benefício de elites ricas.
  • O ranking de consequências sugere instabilidade política, endividamento público e fiscalização inadequada, com a autora defendendo que a leitura é essencial para entender como o capital atua sobre serviços essenciais.

A obra The Asset Class, de Hettie O’Brien, analisa como grandes gestoras de riqueza capturam serviços essenciais para obter lucros elevados. A autora abre com a cena de uma artista têxtil em Deptford, em Londres, mostrando como aluguéis sobem e ativos se tornam mercadoria. A narrativa aponta para o papel do private equity na operação.

O livro traça a ascensão de parcerias de private equity após as reformas econômicas promovidas por Reagan e Thatcher. Empresas como Blackstone, Qatar Investment Authority, Macquarie e KKR utilizam endividamento para adquirir ativos subavaliados, reduzindo custos e investimentos futuros para ampliar retornos.

Ao longo de casos em Copenhagen, Barcelona, San Francisco, Londres e Yorkshire, a autora demonstra como serviços do dia a dia — água, energia, moradia, cuidados, transporte — ficam sob influência de esse modelo. A avaliação aponta impactos negativos em infraestrutura, empregos e na qualidade de serviços públicos.

A narrativa também descreve mecanismos de funcionamento: sigilo financeiro e uso de bancos offshore, que criam uma imagem de eficiência que contrasta com a realidade. Segundo O’Brien, governos sucessivos no Reino Unido favoreceram regimes fiscais atraentes para esse setor.

Proteção regulatória é apresentada como insuficiente. Registros de inspeção costumam ter orçamento baixo, e episódios como despejos de resíduos ou queda de qualidade de água persistem, sob a lógica de maximizar lucros para acionistas.

A obra argumenta que a privatização, aliada a regimes regulatórios frágeis, pode influenciar a política pública. O’Brien descreve uma reconfiguração do Estado para atender a interesses de uma elite econômica, com impactos sociais amplos.

O estudo sustenta que a trajetória do private equity pode provocar instabilidade política e aumento da dívida pública. A autora utiliza relatos humanos para aclarar argumentos que já aparecem em trabalhos acadêmicos sobre propriedade de ativos.

Em síntese, The Asset Class é apresentado como leitura essencial para entender como o capital financeiro atua em serviços vitais. O’Brien oferece uma visão fundamentada, com exemplos que conectam prática econômica a consequências sociais reais.

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