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Abihpec orienta: não descarte embalagens de cosméticos no lixo do banheiro

Brasiliano afirma que apenas trinta por cento das embalagens de higiene pessoal são recicladas; consumidor deve separar e enxaguar para não comprometer a reciclagem

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  • A indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos produz cerca de 600.000 toneladas de embalagens por ano no Brasil, e aproximadamente 30% são recuperadas e recicladas.
  • O programa Mãos para o Futuro, da ABIHPEC, atua há cerca de vinte anos com cooperativas de catadores e custa cerca de 30 milhões de reais por ano para manter a estrutura.
  • Orientação ao consumidor: separar os resíduos em casa e enxaguar levemente as embalagens para chegar secas às cooperativas; evitar jogar embalagens no lixo do banheiro, como frascos de perfume e potes de xampu.
  • O Brasil é classificado como megadiverso e tem legislação (Marco da Biodiversidade Brasileira) que determina que 1% da receita líquida de produtos que usem conhecimento tradicional ou espécies nativas volte a comunidades fornecedoras.
  • A indústria de cosméticos é grande compradora de créditos de carbono e exporta cerca de 1 bilhão de dólares por ano; já se prepara para exigências do Green Deal europeu e trabalha em estratégias de descarbonização.

A indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos no Brasil produz cerca de 600 mil toneladas de embalagens por ano. Dessas, aproximadamente 30% são recuperadas e retornam ao processo produtivo por meio de reciclagem. Os números foram apresentados por Fábio Brasiliano, diretor de sustentabilidade da ABIHPEC, em entrevista ao VEJA+Verde.

O programa Mãos para o Futuro, criado há cerca de 20 anos pela ABIHPEC, sustenta a logística reversa com uma rede de mais de 200 cooperativas de catadores. Para manter a estrutura, o programa investe cerca de 30 milhões de reais por ano em maquinário, capacitação, infraestrutura e equipamentos de segurança.

A coleta começa com o consumidor separando o material em casa e seguindo para a coleta seletiva municipal, que cobre quase a totalidade dos municípios de São Paulo, segundo Brasiliano. Em cooperativas, catadores triam por tipo de material, que é vendido à indústria recicladora para virar matéria-prima de novas embalagens.

Desenho do ciclo de reciclagem

O exemplo da prática empresarial é a Unilever, citada como referência por Brasiliano, que já atingiu o destino ambientalmente adequado de mais de 100% de uma de suas embalagens. No âmbito doméstico, o especialista orienta: separe o que puder, mesmo itens com contato de óleo podem ter destinação na cooperativa. Evite jogar embalagens no lixo do banheiro junto ao papel higiênico, pois a mistura compromete a reciclagem. Enxágue levemente as embalagens para chegar secas à triagem.

A biodiversidade brasileira sustenta a indústria de cosméticos há mais de um século, com uso de espécies nativas para ativos e fragrâncias. Estudo da Embrapa aponta cerca de 50 mil espécies com potencial para alimentos, cosméticos e farmácia, configurando um patrimônio em constante expansão. O Marco da Biodiversidade (Lei 13.123/2015) obriga empresas a repartir benefícios com comunidades fornecedoras de insumos, com 1% da receita líquida destinada a essas comunidades.

Regras e oportunidades

Brasiliano ressalta que muitas empresas ainda se ajustam à legislação, mas enxerga o mecanismo como oportunidade de mercado sustentável para quem souber utilizá-lo. A indústria de cosméticos figura entre grandes compradoras voluntárias de créditos de carbono e já testa frotas a biometano em rotas logísticas entre Rio, São Paulo e Paraná. A ABIHPEC lançou uma trilha de descarbonização para orientar micro, pequenas e médias empresas.

O setor exporta cerca de 1 bilhão de dólares por ano, com a Argentina como principal destino. Preparativos para atender exigências do Green Deal europeu incluem rastreabilidade de recursos genéticos, pegada de carbono e análise de ciclo de vida. Segundo Brasiliano, a indústria é responsável por transformar diretrizes internacionais em práticas sustentáveis reais.

O VEJA+Verde traz entrevistas com empresários, gestores públicos e especialistas para discutir soluções que conciliem desenvolvimento econômico, social e preservação ambiental. O programa é exibido semanalmente, com opções de transmissão por canais de TV e disponível no YouTube.

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