- O BNDES deixou de subsidiar linhas de crédito e passou a dividir riscos com o mercado de capitais, atraindo bancos privados para financiar obras de longo prazo como rodovias, ferrovias, metrôs, portos, aeroportos e redes de saneamento.
- Em 2025, o Brasil investiu quase 300 bilhões de reais em infraestrutura, maior volume em seis anos, com as debêntures incentivadas movimentando 175 bilhões de reais.
- O banco passou a atuar como cofinanciador e não apenas repassador de recursos, aumentando a participação do setor privado no financiamento do setor.
- Estão em andamento 360 obras de infraestrutura em todas as regiões, destacando mobilidade urbana, rodovias, ferrovias, saneamento, portos, aeroportos, energia e logística.
- A agenda inclui avanços regulatórios, privatizações como a Axia Energia com investimentos de aproximadamente 6 bilhões de reais até 2030, e o Livro Azul da Abdib para atrair capital estrangeiro.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mudou o papel que cumpre no financiamento de infraestrutura ao abandonar subsídios em suas linhas de crédito. Bancos privados e o mercado de capitais passaram a financiar obras de longo prazo, como rodovias, ferrovias, metrôs, portos, aeroportos e saneamento. Em 2025, o investimento brasileiro em infraestrutura alcançou quase 300 bilhões de reais, o maior volume em seis anos.
A migração de recursos ocorreu com a popularização de fundos de infraestrutura e debêntures incentivadas, que são isentas de imposto de renda para pessoas físicas. O processo ampliou a capilaridade financeira do setor, segundo a analista Luciana. O BNDES passou a atuar como cofinanciador, dividindo espaço com o setor privado e reduzindo a dependência de recursos públicos.
Na prática, o mercado respondeu com forte liquidez: em 2025, as debêntures incentivadas movimentaram 175 bilhões de reais. Hoje, existem 360 obras significativas em andamento em todo o país, envolvendo mobilidade urbana, rodovias, ferrovias, saneamento, portos, aeroportos, energia e logística, segundo a ConVisão.
Entre as megaconstruções, destacam-se o monotrilho do Aeroporto de Congonhas ao Morumbi, em São Paulo, parcialmente inaugurado em março; a barragem sobre o arroio Jaguari, no interior do Rio Grande do Sul; e a rodovia Transnordestina, com 1.200 quilômetros de extensão ligando Piauí, Ceará e Pernambuco. A Abdib aponta que grandes obras já geraram cerca de 6 milhões de empregos nos últimos anos.
A melhoria do ambiente regulatório brasileiro tem atraído grandes grupos de construção pesada. A Acciona, atuação global em 40 países, conduz a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, com 15 estações em 15 quilômetros. A empresa também avalia saneamento em parcerias público-privadas no Paraná, Espírito Santo e Pernambuco.
A percepção de investidores estrangeiros é de que o Brasil oferece modelo robusto de estruturação de projetos. A Abdib revela que o país tem o que considera o melhor modelo de estruturação de infraestrutura entre os mercados emergentes, fortalecendo o interesse de capitais internacionais.
A privatização de estatais também impulsiona investimentos. A Axia Energia, sucessora da Eletrobras, anunciou investimentos de cerca de 6 bilhões de reais até 2030 para modernizar 124 subestações em vários estados. A empresa planeja distribuir 30 bilhões de reais aos acionistas por meio de novas ações.
No ecossistema, a Abdib atua como ponte entre empresas, bancos de fomento e financiadores. O Livro Azul, disponibilizado em cinco idiomas, orienta investidores sobre projetos em oferta e andamento de obras, buscando atrair capital estrangeiro para um portfólio crescente de infraestrutura.
Segundo o diretor da Abdib e ex-secretário do Tesouro, Roberto Figueiredo Guimarães, o Brasil avança no tempo de tramitação entre estudo inicial e início de obras, estando em linha com países desenvolvidos. A modernização jurídica de contratos também facilitou novos instrumentos de proteção ao investidor, como seguros de garantia com custos competitivos.
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