- Empresas chinesas estão expandindo globalmente, deixando de focar apenas em baixos preços para firmar marcas de consumo reconhecidas, com cadeias como Mixue, Molly Tea e Chagee abrindo em cidades ao redor do mundo.
- Além do varejo, a Miniso e a Anta alcançam milhares de lojas ao redor do planeta, usando licenciamentos e aquisições para ampliar a presença internacional.
- A expansão costuma começar pelo Sudeste Asiático como campo de teste antes de mirar mercados ocidentais, com Haidilao expandindo para a rede internacional de restaurantes.
- A BYD lidera o setor de veículos elétricos e busca criar um ecossistema próprio, em meio a apoio estatal que, para uns, favorece a inovação e, para outros, gera críticas.
- A percepção do Made in China muda para inovação e design, mas existem desafios como tarifas, questões de segurança de dados e competição com marcas ocidentais.
O que houve: marcas chinesas estão acelerando expansão global para além de produtos de baixo custo, buscando tornar o “made in China” sinônimo de consumo desejável. Lojas de chá, brinquedos e fast fashion aparecem entre as que lideram esse movimento, em cidades como Singapura, Sydney, Londres e Los Angeles.
Quem está envolvido: empresas como Miniso, Haidilao, Mixue, Molly Tea, Chagee e BYD expandem operações globais. A Anta conquista espaço com aquisições de marcas internacionais, enquanto Luckin Coffee disputou mercado com o crescimento do comércio móvel. Especialistas destacam o papel de marcas emergentes na transformação da percepção do consumidor.
Quando e onde: o processo começou a ganhar força há poucos anos, com testes no Sudeste Asiático antes da entrada em mercados ocidentais. Hoje, marcas chinesas operam em mais de 100 países, com presença significativa na Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte.
Por quê: a expansão externa surge diante da desaceleração econômica doméstica, da concorrência acirrada e do desejo de escala. Governo chinês subsidia e incentiva o setor de veículos elétricos e tecnologia, apoiando a inovação e a competitividade internacional.
Expansão internacional e estratégia de marca
A China, antes reconhecida pela produção em massa, passa a criar marcas com foco em experiência de compra, design e custo-benefício. O licenciamento e a velocidade de levar produtos da fábrica às prateleiras são fatores-chave desse modelo.
Miniso exemplifica a estratégia: lojas em mais de 100 países vendem brinquedos e produtos licenciados de grandes estúdios. O gerente de mercados internacionais destaca que consumidores valorizam experiência de compra, não apenas origem da marca.
BYD, líder em veículos elétricos, amplia atuação além dos automóveis, desenvolvendo sistemas de carregamento ultrarrápido. O apoio governamental ajuda a acelerar o ecossistema, embora gere críticas sobre competição “desleal” em algumas regiões.
Anta chegou a aproximadamente 13 mil lojas globais, ocupando a terceira posição no setor esportivo mundial. A via de crescimento inclui aquisições de marcas como Salomon e Wilson, além de participação na Puma.
Sudeste Asiático como base de lançamentos
Muitas marcas chinesas deram os primeiros passos no Sudeste Asiático, onde convivem 650 milhões de consumidores jovens. Haidilao abriu a primeira loja externa em 2012, em Singapura, e hoje soma 1,3 mil unidades em 14 países.
A rede ressalta a necessidade de adaptar menus, serviços e operações a cada mercado, considerando culturas, sistemas jurídicos e hábitos locais. A certificação halal é estudada na Indonésia e na Malásia para ampliar o alcance no Oriente Médio.
Mixue, Molly Tea e outras redes de varejo aparecem entre os destaques do sul e sudeste asiático, ampliando presença global com ritmo superior a grandes redes ocidentais de alimentação e varejo.
Nos EUA, a Pop Mart apresenta expansão de 900% desde 2024, impulsionando a demanda por seus bonecos Labubu. Ainda assim, as ações da empresa puxaram por ajustes de crescimento no curto prazo.
A percepção global e os desafios
Analistas apontam que o “Made in China” evolui para sinal de inovação e design moderno. Marcas como BYD combinam qualidade elevada com narrativa local e adaptação de mercado, fortalecendo a imagem global.
Entretanto, tarifas, questões políticas e debates sobre segurança de dados permanecem barreiras à expansão. Casos de Huawei, TikTok e outras empresas evidenciam frentes de disputa regulatória.
A situação de marcas como Shein e Temu suscita dúvidas sobre manutenção do ritmo em mercados ocidentais. O caminho das chinesas, porém, aponta para competitivo palmo a palmo, com foco em marca, adaptação e inovação.
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