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Demanda de energia de data centers freia metas climáticas nos EUA

Demanda de data centers pressiona redes elétricas dos EUA, impulsiona uso de gás e carvão e adia encerramento de usinas fósseis, ameaçando metas climáticas

Os centros de dados de IA atuais podem consumir tanta eletricidade quanto 100 mil residências
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  • Nos EUA, a demanda de energia de data centers está levando o setor a recorrer a gás natural, óleo e carvão para atender à demanda das operações de IA, revertendo compromissos com energia limpa.
  • Análise da Reuters apontou que 60% das usinas movidas a combustíveis fósseis tiveram adiamentos ou cancelamentos de encerramento no ano passado.
  • A Dominion Energy planeja investir em gás e energia nuclear até 2039, mesmo após ter se comprometido a migração para fontes 100% renováveis até 2045.
  • Em Nevada, a concessionária NV Energy disse que data centers podem impedir o cumprimento da meta estadual de 50% de geração renovável até 2030; na Carolina do Norte, a NextEra Energy anunciou que não vê caminho realista para emissões zero até 2045.
  • Globalmente, quase um quarto dos mais de quatro mil data centers já é alimentado por renováveis; a Agência Internacional de Energia estima que renováveis e gás natural responderão por mais de 65% da eletricidade para data centers até 2030.

Os Estados Unidos retomaram investimentos em usinas a gás natural, óleo e carvão para atender à demanda crescente de energia gerada por centros de dados e IA. A medida ocorre mesmo diante de compromissos anteriores de expandir energia limpa. Centros de dados consomem grandes quantidades de energia para alimentar servidores e processar informações.

A rede elétrica do país vem enfrentando sobrecargas, com planos de desligamento ou atraso de usinas movidas a fósseis. A PJM Interconnection, que atua em 13 estados do leste, aponta necessidade de cada megawatt extra para evitar falhas no fornecimento. A aposta é que o gás seja solução rápida.

Dominion Energy, com sede na Virgínia, sinaliza investimentos em gás e nuclear até 2039, mesmo sob metas de 2045 para renováveis. Em Nevada, a NV Energy avalia impactos na meta de 50% de renováveis até 2030. Já a NextEra Energy, na Carolina do Norte, revisou projeções de emissões até 2045.

Gás como solução rápida

Analista da Ember ressalta que a demanda específica dos data centers explica a dependência de fósseis, especialmente gás natural. Centros avançados de IA exigem cada vez mais energia, com previsões de consumo que podem chegar a 20 vezes o nível atual. A geração local de energia também é estudada.

O gás natural responde por mais de 40% da eletricidade dos data centers nos EUA, afirma a IEA. Carvão fornece cerca de 15%. Globalmente, fósseis devem responder por boa parte do crescimento até 2030, segundo a IEA.

Metas climáticas e IA

Especialistas destacam que tarifas sobre importação de painéis solares dificultam renováveis para data centers. Ainda assim, defensores defendem investir em transmissão e armazenamento para evitar poluição adicional. Mudanças políticas influenciam o ritmo da transição.

Desde 2025, houve sinais de mudança de prioridades entre algumas empresas de IA, que deram prioridade à confiabilidade de fornecimento elétrico. Autoridades ressaltam que o equilíbrio entre competitividade e clima requer planejamento e regulação adequados.

Renováveis e impactos locais

Cerca de 25% dos data centers nos EUA já são alimentados por fontes renováveis. Em nível global, renováveis devem responder por parte relevante da demanda até 2030, com a IEA destacando o papel de gás natural na expansão de energia para esse segmento.

Em mudanças locais, casos nos estados mostram resistência à instalação de novos centros. Em Nova Jersey, moradores conseguiram cancelar um data center devido a preocupações energéticas. Em Maine, projeto de lei suspende novas unidades até 2027 para avaliação de impactos.

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