- O índice de desconforto de crédito (IDC) chegou a 0,94, o pior nível da série iniciada em 2014, segundo estudo da FGV EAESP.
- O IDC sintetiza incômodo financeiro das famílias causado por dívidas e dificuldades com crédito, especialmente em modalidades onerosas como cheque especial, crédito rotativo e parcelado.
- O endividamento vem em alta desde o fim da pandemia; houve alívio com o programa Desenrola em 2023, mas o IDC voltou a subir em 2024.
- Pesquisadores apontam que houve crescimento além do desejável de crédito em modalidades de qualidade questionável, como o cartão de crédito, levando a um desalinhamento com indicadores macroeconômicos.
- Entre as medidas sugeridas estão limite de endividamento para crédito ao consumo sem garantia, avaliação de capacidade de pagamento, supervisão de canais digitais, maior provisionamento e regulação mais rígida.
O desconforto das famílias com o crédito atingiu o nível mais elevado em 12 anos, segundo estudo da FGV EAESP. O índice de desconforto de crédito (IDC) chegou a 0,94, em dados recentes, indicando 94% do pior patamar histórico desde 2014.
A pesquisa, realizada pelo Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira (FGVcemif), utiliza informações do Banco Central sobre comprometimento de renda, inadimplência e qualidade do crédito. O objetivo é medir o incômodo financeiro causado por obrigações com o mercado de crédito, especialmente em modalidades mais onerosas como cartão de crédito, cheque especial e crédito rotativo.
Segundo os pesquisadores Lauro Gonzalez, Rafael Schiozer e Matheus L. Carrij, houve um deslocamento do crédito para pessoa física em segmentos de maior custo. Eles ressaltam que mudanças regulatórias, inovações tecnológicas e efeitos da pandemia contribuíram para esse fenômeno.
O IDC funciona numa escala de 0 a 1, com 1 representando o pior momento. Em 2024, o índice mostrou alta após um recuo observado no começo do ano, mantendo a tendência de elevação desde o fim da pandemia de covid-19. O estudo ressalta que o programa Desenrola, lançado em 2023, trouxe alívio de curto prazo.
Os autores defendem medidas para enfrentar o superendividamento, incluindo limites de endividamento para crédito ao consumo sem garantia, avaliação de capacidade de pagamento e maior supervisão de canais digitais. Eles destacam ainda a necessidade de maior provisionamento de risco e regulação mais rígida de determinados produtos.
A análise aponta que o aumento do endividamento, não compensado por políticas estruturais, pode manter a população em uma rotina de soluções paliativas, conforme os pesquisadores. O estudo envolve dados do BC e análises de séries históricas entre 2014 e 2024.
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