- A Nestlé enfrenta crise na China, com queda de vendas, tensão com distribuidores locais e dificuldade de se adaptar a um mercado mais competitivo.
- A empresa é acusada de channel stuffing, empurrando produtos para canais de venda acima da demanda, gerando estoques encalhados e prejuízos.
- Distribuidores relatam pressões para comprar volumes além da necessidade, com promessas de reembolso atrasadas ou não recebidas.
- A região da Grande China responde por cerca de 5% da receita global, mas tem sido o mercado com pior desempenho, com quedas superiores a 10% em 2025.
- A Nestlé iniciou uma reestruturação, reduziu o número de distribuidores e busca normalizar a cadeia até meados de 2026 com promoções e liquidações para reduzir excedentes.
A Nestlé enfrenta crise na China, país que há décadas serviu como modelo para multinacionais. A empresa é acusada de excesso de estoque nos canais de venda por meio de prática conhecida como channel stuffing, o que elevou perdas e desgastes com distribuidores locais.
Distribuidores em províncias como Hebei informam pressões para compra de volumes acima da demanda. Parte dos itens, como leite em pó e café, ficou armazenada sem perspectiva de venda. Pagamentos prometidos para produtos vencidos também teriam atrasado ou não ocorrido.
A crise ocorre em momento de mudanças no consumo chinês, com desaceleração econômica e maior cautela do consumidor. A região da Grande China representa cerca de 5% da receita global, e tem sido a pior em desempenho, com quedas superiores a 10% em 2025.
Reestruturação e ajustes operacionais
Segundo fontes, o channel stuffing intensificou-se no fim da década de 2010, quando dificuldades de crescimento surgiram. O efeito sobre receitas é temporário e distorce margens e valor da marca.
A gestão atual reduce o número de distribuidores e busca reconstruir a demanda do consumidor, ajustando estoques. A meta é normalizar a cadeia de distribuição até meados de 2026, por meio de promoções e liquidações.
Liderança e contexto de mercado
A crise na China coincide com mudanças na liderança da Nestlé, que passou por trocas de comando nos últimos anos. A instabilidade dificulta a implementação de uma estratégia estável em um mercado competitivo e regulado.
Enquanto a empresa avança com a reestruturação, alguns parceiros continuam cobrando compensações pelos impactos verificados, mantendo a tensão na relação comercial na região.
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