- No primeiro trimestre de 2026, o Paraguai exportou arroz para 22 países, sendo o Brasil o principal destino, com 351.307 toneladas, equivalentes a 82,49% do total.
- Os demais principais destinos foram Chile (35.948 t, 8,44%), Costa Rica (10.523 t, 2,47%), Gâmbia (6.275 t, 1,47%) e Israel (4.717 t, 1,11%).
- Dados do Agrostat indicam uma tendência de alta no volume comprado pelo Brasil entre 2021 e 2025, passando de 492.631 toneladas para 704.873 toneladas, aumento de 43,1%.
- Em 2025, o Brasil pagou US$ 247,1 milhões por arroz paraguaio, por 704.873 toneladas, com preço médio de US$ 350,56 por tonelada; em 2024, foram US$ 337,5 milhões por 578.956 t (US$ 582,92/t).
- O Paraguai busca reduzir a dependência do Brasil ampliando destinos como México, Reino Unido, Bélgica e Portugal, diante da vantagem logística e de preço, enquanto o Brasil continua sendo o maior comprador do cereal paraguaio.
No primeiro trimestre de 2026, o Paraguai exportou arroz para 22 países. O Brasil foi o principal destino, absorvendo 351.307 toneladas, o que representa 82,49% do total embarcado pelo país vizinho. Os dados são da Câmara Paraguaia de Arrozeiros (Caparroz).
Entre os demais destinos, o Chile recebeu 35.948 toneladas (8,44%), Costa Rica 10.523 toneladas (2,47%), Gâmbia 6.275 toneladas (1,47%) e Israel 4.717 toneladas (1,11%). Esses são os cinco principais mercados do trimestre.
Tendência de cinco anos
Dados do Agrostat mostram que o domínio do Brasil se aprofundou de 2021 a 2025. O volume exportado aumentou de 492.631 para 704.873 toneladas, alta de 43,1%. Em 2025 houve recorde de volume, superando 2024.
O custo total pago pelo Brasil caiu nesse período. Em 2024, foram US$ 337,5 milhões por 578.956 toneladas. Em 2025, US$ 247,1 milhões por 704.873 toneladas. O preço médio caiu de US$ 582,92 para US$ 350,56 por tonelada.
No primeiro trimestre de 2026, o preço médio recuou ainda mais, para US$ 258,59 por tonelada, o menor da série. Assim, o volume subiu, mas o valor pago não acompanhou na mesma proporção.
Por que o Brasil recorre ao Paraguai
A combinação de fatores estruturais explica a escolha brasileira. O Brasil produz cerca de 10 a 12 milhões de toneladas de arroz por ano, mas consome mais do que produz, tornando as importações frequentes. O Rio Grande do Sul concentra cerca de 70% da produção nacional.
A logística também favorece o Paraguai: o Mercosul isenta tarifas, o produto chega por rodovias na fronteira com o Paraná e, nos últimos dois anos, o Paraguai tem oferecido o menor preço médio da região.
A queda de preços internacionais ajuda o Paraguai a competir com a Índia, que retomou exportações após flexibilizar restrições. Com maior oferta global, o arroz paraguaio fica mais barato e próximo logistico para o Brasil.
Desdobramentos para o setor
Para produtores gaúchos, as importações baratas pressionam as cotações e limitam a rentabilidade. A cadeia debate medidas como redução de área de cultivo, alongamento de dívidas de custeio e estratégias de escoamento para a safra 2025/2026.
Do lado paraguai, o desafio é manter o volume no principal comprador ao mesmo tempo em que amplia destinos com maior valor agregado. Em 2026, mercados como México, Reino Unido, Bélgica e Portugal surgem como novas opções.
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