- O índice de evolução do preço médio das matérias-primas subiu de 55,3 pontos no quarto trimestre de 2025 para 66,1 pontos no primeiro trimestre de 2026, indicando alta de 10,8 pontos.
- O salto levou o indicador ao maior patamar desde o segundo trimestre de 2022, período em que a indústria ainda se recuperava da pandemia.
- O aumento reflete elevações de petróleo e de outros insumos usados pela indústria global, impactando a oferta no Brasil.
- Além dos custos, empresários registraram queda na satisfação com condições financeiras (de 50,1 para 47,2 pontos) e com o lucro operacional (de 44,5 para 41,9 pontos), com o menor nível desde o segundo trimestre de 2020.
- A taxa de acesso ao crédito também caiu, atingindo 39 pontos, a pior marca em três anos; entre os problemas citados, a carga tributária permaneceu alta, mas recuou 6,3 pontos.
O aumento no preço de matérias-primas usadas pela indústria acompanha o funcionamento de uma cadeia global que foi impactada pelo início do conflito no Oriente Médio. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o índice de evolução do preço médio dessas matérias-primas subiu no primeiro trimestre de 2026 em relação ao final de 2025. O salto reflete, entre outros fatores, a elevação de petróleo e insumos importantes para a produção.
A análise da CNI aponta que o índice passou de 55,3 pontos no quarto trimestre de 2025 para 66,1 pontos no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 10,8 pontos. O valor representa o maior patamar desde o segundo trimestre de 2022, período de recuperação econômica pós-pandemia. O levantamento também mostra piora nas percepções sobre condições financeiras das empresas.
Entre os indicadores da pesquisa, o índice de satisfação com o lucro operacional caiu, de 44,5 pontos para 41,9 pontos, atingindo o menor nível desde o segundo trimestre de 2020. Já o índice de acesso ao crédito recuou para 39 pontos, o pior registro em três anos. A carga tributária segue como uma das principais preocupações, apesar da queda recente.
Carga tributária
A elevada carga tributária é citada como o principal problema no setor, ainda que tenha recuado 6,3 pontos em relação à leitura anterior. Por outro lado, a falta ou alto custo da matéria-prima subiu na lista de entraves, passando da sexta para a segunda posição, citada por 30,8% dos industriais (contra 17,3% na sondagem anterior).
“A maior preocupação com a falta ou alto custo das matérias-primas reflete o que ocorre no conflito no Oriente Médio, que aumenta os custos com petróleo e insumos importantes. Junto a isso, os juros altos pressionam o fôlego financeiro das empresas”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Entre na conversa da comunidade